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A linha e o linho
Gilberto Gil

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando, ponto a ponto, nosso dia-a-dia

E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O ziguezague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão

A sua vida, o meu caminho, nosso amor
Você a linha, e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado a casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza


BRWMB9900460
© Gege Edições / Preta Music (EUA & Canada)



Ficha técnica da faixa:
voz e violão - Gilberto Gil
arranjo - Gilberto Gil
piano Yamaha - Jorjão Barreto
sax-alto - Leo Gandelman
piano Rhodes e memory moog - Serginho Herval
baixo - Nando

Outras gravações:
"Songbook Gilberto Gil 1", Gal Costa e Marco Pereira, Lumiar Discos 1992
"O amor de uns tempos pra cá", Andrea Dutra e Marcus Nabuco, Saladesom 2007
"Zé Maurício", Zé Maurício 2008
"Diogo Poças", Diogo Poças, Warner Music 2009
"Meu amanhã, Carla Bezerra, Carla Ribeiro Amorim Bezerra 2014
"Tributo MPB", Gal Costa, Som livre 2013
"Luar", Gilberto Gil 1998
"Bandadois", Gilberto Gil, Gege Produções 2009
"Acústico", Gilberto Gil, Warner Music 2001
"Extra", Gilberto Gil, Warner Music 1983
"Eletracústico", Gilberto Gil, Warner Music 2004
"Bandadois", Gilberto Gil, Warner Music 2009
"Unplugged", Gilberto Gil, Warner Music 1994
"Gil + 10", Gilberto Gil & Lenine, Pedra da Gavea 2011
"Ivete, Gil e Caetano", Universal Music 2011
"Com o som no coração", Joana D`arc Menegaz 2014
"Nascente musica", Margareth Reali 1998
"Amor até o fim", Mauro Senise, Alma brasileira 2016
''Taís Nader", Taís Nader 2012
"Zé Mauricio", Zé Maurício, Goinva 2008

"Na vida a dois, a pessoalização do amor; o êxtase pré-samádico; nas gradações religiosas, um estágio no qual, ainda em corpo, tem-se a dimensão divina; um ponto onde humano e sobre-humano superpõem-se.

"Nós estávamos em Paris, no Hotel Meurice, onde Hitler havia feito o seu quartel-general quando da Ocupação, e onde também saiu Extra na mesma ocasião. Flora tinha acabado de adormecer; ainda a acariciei um pouco e já estava entrando num estado de torpor quase sonho, quando me chegaram as primeiras frases. Havia a maciez da pele dela, a do tecido do lençol e os bordados na colcha - todos os elementos; minha sensação era de leveza, paixão e afeto. Aquelas palavras ficaram como que boiando num éter, e eu já tinha me deitado, mas resolvi me levantar e completar a letra toda. No final ainda me lembrei da minha mãe e da minha avó bordando nos panos os motivos que eu cito. Dias depois fiz a música.

"Recentemente, eu recebi de uma família de bordadeiras, mãe e filhas, de Três Marias, interior de Minas, um lenço bordado junto com uma carta de agradecimento pela canção. No lenço, a inscrição 'A Linha e o Linho'. Para mim foi instigante o fato de, nesses dois substantivos, apenas o o e o a finais os diferenciarem, determinando também a diferença dos sexos. E propiciando que um momento tocante, especial, se transformasse em poesia, como num lance de ilusionismo, prestidigitação."