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Febril
Gilberto Gil

Veio gente me pedir uma esmola
Veio gente reclamar uma escola
Veio gente me aplaudir
Veio gente vaiar
Veio gente dormir nas cadeiras

Veio gente admirar meu talento
Veio gente adivinhar meu tormento
Veio gente me xingar
Veio gente me amar
Veio gente disposta a se matar por mim

E eu cantava aquela música, aquela música
Alucinação
Como se eu fosse um punhado de gente
E aquela gente ali, não
Como se o salão repleto fosse um deserto
E eu fosse mil
Mil troncos de árvores velhas
Árvores velhas de pau-brasil

Tanta gente, e estava tudo vazio
Tanta gente, e o meu cantar tão sozinho
Todo mundo, mundo meu
Meu inferno, meu céu
Meu vizinho


BRWMB9900474
© Gege Edições / Preta Music (EUA & Canada)



Ficha técnica da faixa:
voz e violão - Gilberto Gil
teclado - Jorjão Barreto
baixo - Liminha
bateria - Téo Lima
percussão - Marçal

Outras gravações:
"Dia dorim noite neon", Gilberto Gil, Warner Music
"Chill Brazil vol. 2", Gilberto Gil, Warner Music 2003
"The very best of Gilberto Gil the soul of Brazil", Gilberto Gil, Warner Music 2005
"Les indispensables de Gilberto Gil", Gilberto Gil, Warner Music 1989
"Casa de morar", Renato Braz, Tratore Distribuição de CD 2012
"As descobertas", Zizi Possi, Polygram Music 1995
"Dê um rolê", Zizi Possi, Universal Music 2002

"Eu tinha dois ou três dias para entregar uma música para a Zizi Possi, quando fiquei fortemente gripado. Com febre alta, mas com aquilo na cabeça - 'a música da Zizi: o que é que eu faço?' -, fiz essa canção sobre a solidão do artista no palco e, após terminar a sua feitura e relê-la, eu vi que o texto estava nitidamente influenciado pelo meu estado febril. Daí o título, associado, sem dúvida alguma, ao delírio do ato de se apresentar em um palco e à febre da idolatria, do fã-clube."

"Veio gente reclamar uma escola" - "Enquanto compunha, eu me lembrei de um episódio ocorrido dias antes, numa ida minha a um show do Belchior no teatro João Caetano. Depois do show, já no camarim, ele atendendo as pessoas que entravam, uma delas me viu e me pediu: 'Arranja uma escola para o meu filho, uma bolsa escolar'."

"Veio gente disposta a se matar por mim" - "Essa frase é o máximo; na exposição da cena, ela tem para mim uma equivalência com os versos da música Bastidores, que o Chico Buarque fez para o Cauby Peixoto: 'E os homens lá pedindo bis/ Bêbados e febris/ A se rasgar por mim'. Nesse aspecto da solidez da solidão do artista, as duas são canções irmãs."