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Touche pas à mon pote
Gilberto Gil

Touche pas à mon pote
Ça veut dire quoi?
Ça veut dire peut être
Que l’Être qui habite chez lui
C’est le même qui habite chez toi

Touche pas à mon pote
Ça veut dire quoi?
Ça veut dire que l’Être
Qui a fait Jean-Paul Sartre penser
Fait jouer Yannik Noah

Touche pas à mon pote

Il faut pas oublier que la France
A déjà eu la chance
De s’imposer sur la terre
Par la guerre
Les temps passés ont passé
Maintenant nous venons ici
Chercher les bras d’une mère
Bonne mère

Touche pas à mon pote

Touche pas à mon pote
Ça veut dire quoi?
Ça veut dire peut être
Que l’Être qui habite chez lui
C’est le même qui habite chez toi

Touche pas à mon pote
Ça veut dire quoi?
Ça veut dire que l’être
Qui a fait Jean-Paul Sartre penser
Fait jouer Yannik Noah

Il fait chanter Charles Aznavour
Il fait filmer Jean-Luc Goddard
Il fait jolie Brigitte Bardot
Il fait petit le plus grand Français
Et fait plus grand le petit Chinois

Touche pas à mon pote


BRWMB9900475
© Gege Edições / Preta Music (EUA & Canada)



Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra - Gilberto Gil
teclado - Jorjão Barreto
baixo - Liminha
percussão - Marçal
sax - Zé Luís

"Eu tinha ido ao evento do movimento SOS Racismo, na Place de la Concorde, em Paris, e, lá, sido convidado a (e aceitado) participar da edição do mesmo no ano seguinte, marcada para a praça da Bastilha. Ao voltar ao Brasil - com o slogan deles, o 'touche pas à mon pote' ('não incomode meu chapa'), na cabeça -, resolvi fazer a canção.
"O que faz o Sartre pensar faz o Yannik Noah jogar (Noah: jogador de tênis de origem africana, exemplo de imigrante bem-sucedido na França). Ou: 'Como é que vocês, povo da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, se deixam rebaixar por tamanha mesquinharia? Isso é coisa de Hitlers, não de vocês!' É a exortação da canção à alma francesa, às suas grandes máximas cívicas - recorrendo particularmente ao truque de usar essa entidade tão importante que é o 'ser', que diz respeito profundamente à obra de Sartre -, para tocar na questão da intolerância racial.

"Meu francês era limitado, mas ainda assim eu quis ousar fazer, e acabei me deparando com essas surpresas que o próprio desdobrar-se da manifestação da poesia acaba trazendo. Essa música é particularmente um típico exemplo de que as deficiências no domínio de uma língua podem ser superadas pela excelência da linguagem. A canção se tornou conhecida na França. Os franceses ficaram admirados de ver que um fenômeno interno deles pudesse ter sido revelado a partir de fora; vários jornalistas me disseram: 'Mas como que é que você fez?' 'Eu fiz'."