Gilberto Gil ensaia para se apresentar com o Cortejo Afro

Era a única chance que eles tinham de se preparar para a apresentação de amanhã, no ensaio do Cortejo Afro, na Praça das Artes, no Pelourinho, quando o tropicalista será homenageado e cantará algumas composições suas, com arranjo de Brizzi.

As músicas terão acompanhamento de instrumentos como contrabaixo, piano e flauta. “Escolhemos músicas que não são ‘óbvias’ para um ensaio de Carnaval. E tem muita coisa surpreendente, como Super-Homem”, disse Brizzi. O repertório tem ainda Não Chores Mais, Andar com Fé, Pai e Mãe, Toda Menina Baiana e Expresso 2222.

“Essas homenagens acabam sendo naturais para aqueles que de alguma forma contribuíram para que as pessoas se sentissem orgulhosas e ciosas da importância de seu grupo. E eu tenho 50 anos de contribuição, fazendo várias coisas. Portanto, homenagens são naturais”, disse o cantor.

Apesar da longa experiência - e excelência - como músico, Gil portou-se com muita simplicidade, buscando sintonia com a orquestra e interessado em compreender os arranjos que haviam sido preparados. “Ok! Tá bem! Compreendido!”, disse ao fim de Toda Menina Baiana, quando, depois de cinco ou seis tentativas, finalmente o compositor e a orquestra conseguiram chegar até o fim da música sem interrupção.

Instrumentistas do Cortejo Afro também foram ao Palácio da Aclamação

No fim do ensaio, depois de finalizarem Expresso 2222, Gil, preocupado com o resultado, dirigiu-se aos músicos do NOB: “E aí, tá tudo bem? Ou alguma coisa ficou mal esclarecida?”.

Depois de terminar o ensaio, o compositor comentou sobre um de seus clássicos, Super-Homem, que será apresentado amanhã: “O homem tem que ser pelo menos metade feminino, afinal não há ninguém que venha ao mundo sem uma mãe. E as mães cuidam do filho a vida inteira. Garimpar um pouco dessa sensibilidade feminina no ser humano, especialmente para os homens, é a nossa obrigação. Afinal, viemos todos de uma mulher”.

Na tarde de ontem, pouco após o ensaio, o NOB assinou com o Ipac - Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - um contrato que permite ao grupo musical usar o Palácio da Aclamação para ensaios e apresentações.



in Correio 24 horas, 18.02.2017
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