Aquele abraço

Rúbia Mazzini

Gilberto Gil lança CD e DVD ao vivo com repertório do espetáculo ‘Eletracústico’ e, mesmo, com a perspectiva de reforma ministerial, mostra total desapego ao cargo.

Com a segunda reforma ministerial do governo Lula em pleno andamento, as especulações sobre quem será o próximo a entrar na dança das candeiras estão agitando Brasília. Mas é no Rio que tem gente torcendo para Gilberto Gil deixar o ministério da Cultura. Do alto de seus 13 anos, José, filho caçula do ministro com a empresária Flora Gil, não está nem aí para política e anda reclamando a presença do pai. “Ainda ontem (quinta-feira) estava brincando com Flora que se o presidente me mandasse de volta pra casa seria muito bom por um lado, por causa dos meninos. Toda hora o José diz: tomara o presidente Lula desista do meu pai.”

Se Lula vai ou não devolver Gil ao convívio da família, ainda não se sabe. O cantor, que lançou ontem o CD e DVD Eletracústico, gravado ao vivo no Canecão, em setembro, faz a linha despreocupado. “Eu me sinto confortável tanto para ficar, como para sair se o presidente quiser. O cargo é dele, foi ele que me pediu para ser e pedirá para não ser se for o caso”, diz Gil, que no entanto tem certeza de estar fazendo um bom trabalho. “Houve pequenos enquadramentos no início, mas neste segundo ano a gente pôde trabalhar programas do audiovisual, dos museus, a renovação institucional do ministério. Criamos uma série de manifestações que deram maior e melhor visibilidade ao ministério da Cultura.”

Entre os temas que deram a tal visibilidade à pasta, pelo menos um deve continuar na ordem do dia em 2005. A transformação da Agência Nacional de Cinema (Ancine) em Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), cujo objetivo é proteger e estimular a produção nacional, ganhou o reforço de quase 100 deputados essa semana. Eles lançaram em Brasília a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Cinematográfica Brasileira com a promessa de agilizar a tramitação do projeto de criação da Ancinav no Congresso. “Quanto mais informação e referências o Congresso tiver, melhor para a análise de um documento como esse, que eu espero o presidente envie para lá”, avalia Gil.

Longe das obrigações ministeriais pelo menos por uns dias, o compositor volta ao palco do Canecão nos dias 18 e 19 para badalar o CD e DVD Eletracústico. Os disquinhos trazem pérolas do seu repertório – como Refavela e Soy Loco por Ti América – e de nomes como Bob Marley (Three Litle Birds) e John Lennon (Imagine) em formato desplugado, com o acompanhamento de cordas, percussão, acordeão e teclado. O resultado agradou a Gil, que nunca escondeu a preferência por discos ao vivo. “É uma questão muito individual, porque eu me vejo ali muito mais. Quando estou à frente do público, estou sendo visto por todos, não só ouvido. É ao vivo, como o nome já explica.”



in O Dia, 27.11.2004
2481 registros:  |< < 240 241 242 243 244 245 246 247 > >| 
 
2009 © Gege Produções Artísticas Refazenda fez