Talento a três

Gilberto Gil, Nando Reis e Gal Costa se unem com repertório memorável apresentado em show em Pernambuco amanhã

Um tributo transformado em turnê e já pensado como DVD. Um menino impetuoso e viril, um rapaz maduro calejado pela idade e uma moça são a definição de Gilberto Gil, de 75 anos, para ele e os amigos Nando Reis, de 54, e Gal Costa, de 71, parceiros na turnê Trinca de ases, com a qual se apresentam no Recife amanhã. As classificações estão em Trinca de ases, do baiano, uma das quatro músicas inéditas surgidas a partir da junção e inseridas no repertório. As outras são Tocar-te, com letra de Gil e melodia de Nando, Dupla de ás, do ruivo, e Mãe de todas as vozes, homenagem do mais novo a uma das mais potentes vozes da música popular brasileira, a qual o faz se lembrar das cantorias e do violão tocado pela própria mãe. “É uma linda canção e eu me comovi muito com ela. Ele mostrou a música na minha casa e eu chorei. Estou muito feliz”, confessa ela.

Fã dos baianos, Nando comemora o convite e vê-la interpretar versos dele. “É uma honra, né. Gal tem uma voz divinal e, mesmo que ela não seja compositora, a força de sua interpretação é essencialmente autoral”, celebra. A relação musical e afetiva de Gil e Gal é longeva, moldada desde a década de 1960. Eles já realizaram o show Nós (1964), por exemplo, o disco Tropicália ou Panis et circensis (1968), a turnê Doces bárbaros (1976) e o show em Londres lançado como o CD Live in London’71 em 2014. “Com Gil, tenho uma antiga afinidade, que posso considerar espiritual também”, defende Gal. Com Nando, ela revela desejo de outros shows ou inserção de faixas em projetos futuros. “Com o Nando é o começo de muitas parcerias, ele é um compositor muito talentoso”, elogia.

Os três subiram juntos ao palco pela primeira vez em outubro do ano passado, a partir de sugestão do saudoso jornalista Jorge Basto Moreno (1954-2017), para uma plateia somente de convidados. O encontro, antes intimista e baseado em performances solo, celebrava o centenário de nascimento do político Ulysses Guimarães, em Brasília, mas acabou sendo repaginado para circular pelo Brasil.

O set list foi arquitetado em vários encontros e ensaios. Relê clássicos da carreira deles, como Meu amigo, meu herói (conhecida na voz de Zizi Possi, mas agora revisitada por Gal), Retiros espirituais, All star, Dois rios, Nos barracos da cidade, Barato total e de outros artistas, como o norte-americano Stevie Wonder (Lately, na versão de Ronaldo Bastos). Os arranjos foram redesenhados para se adequar ao timbre de voz do grupo, sempre junto no espetáculo, sob direção musical e assessoria artística de Marcus Preto.

O encontro é completado por dois instrumentistas, o baixista pernambucano Magno Brito, da banda Sinara, e o percussionista baiano Kainan do Jejê, e deve render um DVD, ainda em processo de produção, em paralelo aos trabalhos individuais de cada um deles e sem detalhes anunciados. Hoje, às 21h, os três artistas farão um ensaio aberto para a imprensa, com trechos que podem ser acompanhados pelas redes sociais do Viver.



in Diário de Pernambuco , 10.10.2017
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