Gilberto Gil diz não ter tempo para compor com cargo no ministério

da Efe, em Vitoria (Espanha)

O cantor e ministro da Cultura, Gilberto Gil, reconheceu hoje em Vitoria (norte da Espanha) que nos últimos quatro anos só escreveu duas canções, porque seu trabalho como ministro da Cultura não deixa tempo "físico e psicológico" para ele compor.

O músico se apresentará amanhã no Teatro Principal de Vitoria com o show "Gil, o Luminoso", como parte de uma viagem pela Espanha que também o levará as cidades de Tenerife (sudoeste) e Barcelona (leste do país), e que continuará nos Estados Unidos, anunciou Gil em um encontro com os jornalistas.

O compositor destacou que se dedica a seu trabalho como ministro da Cultura e à música com "igual entusiasmo", apesar de serem dois trabalhos "muito diferentes". Gil reiterou que o tempo é "muito tirano e severo" e que mal pode escrever suas canções.

No entanto, Gil disse que, historicamente, compor "nunca foi a parte mais interessante" do seu trabalho, e especificou que prefere cantar, tocar e atuar. "Felizmente posso continuar fazendo isso, embora não tão intensamente como antes", especificou.

O trabalho como ministro, acrescentou, é algo prático, "de fazer coisas que possam e devam ter um impacto na vida real", enquanto a função da música é "entreter e propiciar olhares e paisagens descritivas sobre a vida, o homem, a natureza".

Gilberto Gil apresenta amanhã, em show de voz e violão, uma coletânea de músicas de várias épocas tratadas de uma forma "muito intimista, singela e espiritual".

O ministro explicou que transita entre a forma suave da música e a "forma mais quente, entusiasta e com mais colorido". "São duas coisas diferentes, e eu gosto das duas", ressaltou o cantor.

Durante a entrevista coletiva, o ministro destacou o auge de governos de esquerda na América, "comprometidos com o povo e com as políticas sociais", frente aos governos anteriores e aos golpes militares.

Disse que, no Brasil, os números falam "com eloqüência" desde que Lula assumiu o governo, e ressaltou que gosta de fazer parte desse projeto, que contribui para melhorar o país.

Gil também se referiu aos direitos autorais e destacou a necessidade de encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento das novas tecnologias e os interesses tradicionais, com o objetivo de que os autores sejam remunerados e, ao mesmo tempo, o acesso do público à música seja o mais democrático possível.



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in Folha Online - Ilustrada, 27.02.2007
 
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