Gil leva Luminoso à Suíça e encanta o público

Lourdes Sola

Foram 2 horas de poesia, em um espetáculo intimista que percorreu as diferentes fases da sua carreira

Poesia, voz e violão. Essa foi a poção mágica usada pelo cantor e ministro da Cultura Gilberto Gil para encantar o público que compareceu ontem ao teatro de Lucerna, na Suíça. O espetáculo faz parte de sua turnê pela Europa, onde apresenta o último CD Luminoso, lançado em 2006 e considerado o mais minimalista de sua carreira.

Quando o cantor subiu no palco de Lucerna, até quem não sabia onde é Luanda lhe deu valor. Foi recebido calorosamente e apresentou cerca de 16 músicas. No repertório, Exotérico, Super-Homem, Metáfora, Expresso 2222, Maracatu Atômico e Aquele Abraço, entre outras. Foram duas horas de pura poesia, que incluiu a apresentação de músicas de diferentes fases da vida artística de Gil. Muitas delas compostas nos anos 70 e 80.

É verdade que em seus shows o artista sempre reservou momentos especiais de voz e violão. A diferença é que em Luminoso não há mais nada no palco para atrair o público: nem bandas, nem luzes. Só o talento de Gil - acompanhado em algumas canções do filho Ben. Parecem aqueles momentos em que um amigo pega o violão e canta na intimidade. O luxo é que quem pega o violão é Gilberto Gil. Isso faz toda a diferença.

''Este é um show diferente. Acho que a autoridade musical se instala de maneira muito própria, autônoma. Ela que rege. Todos estão ali para uma espécie de ritual centrado no cultural e musical'', diz. Além de músicas de sua autoria, Gil brindou o público com uma interpretação especial de When I''m 64, dos Beatles, e depois com a canção No Woman no Cry, de Bob Marley, gravada com Jimmy Cliff nos anos 80.

No fim do mês passado ele se apresentou em Londres, onde morou de 1969 a 1972, quando ficou exilado. Para o The Times, ''um momento perfeito e uma noite inesquecível''. O jornal elogiou ainda a interpretação de When I''m 64. No último fim de semana apresentou-se, com igual sucesso, em Paris.

Na turnê, ele canta também para quem está longe. ''Quando fiquei fora, tinha saudade de tudo, mas era uma época diferente. É claro que hoje as pessoas podem ter saudades, mas é diferente. O mundo está muito mais interligado e multicultural. As pessoas podem viajar muito e vão e voltam. A multidão vive em êxodo'', diz.

Durante o show, conversou com a platéia em inglês e explicou a origem de alguns ritmos como o samba, o xote e o xaxado. Assunto interessante não só para os brasileiros, mas especialmente para os estrangeiros - que não eram poucos, graças à notoriedade musical de Gilberto Gil. Contou que compôs a música Faca e Queijo para sua mulher, Flora, e cantou um novo xote, Despedida de Solteira, do novo álbum, com lançamento previsto para junho.

Concentrada na poesia e no violão, a platéia respondia calorosa aos apelos de Gil para que o acompanhasse num refrão. Este ano ele deixará o cargo de ministro e já faz planos para aproveitar o tempo de folga. ''Agora tenho uma família grande, com netos novos e novos netos virão. Quero ter mais folga para isso. Para curtir outros prazeres'', explica. ''Não vou deixar o ministério para me dedicar mais à música porque a música já é completamente integrada à minha vida. Faz parte da minha vida'', diz. O público percebe a musicalidade e o talento - aplaude e pede bis.

Gil passou pela Tunísia, toca hoje e segunda na Espanha e, em Portugal, dias 17 e 19.



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in O Estado de São Paulo, 12.04.2008
 
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