Gil e seu mundo digital

Felipe Branco Cruz

Cantor e ministro lançou oficialmente seu novo álbum, 'Banda Larga Cordel', por uma entrevista via internet

Modernidade e tradição estarão reunidas no novo disco do cantor e ministro Gilberto Gil, Banda Larga Cordel, que chegará às lojas dia 17 de junho. O anúncio oficial do lançamento foi feito bem ao estilo dele, um entusiasta das novas tecnologias: por meio de uma coletiva de imprensa online. De um estúdio na cidade do Rio de Janeiro, Gil respondia às perguntas dos jornalistas olhando para uma webcam.

O cantor afirma que o título procura explicitar o significado do disco, que será lançado pelo selo Gegê, de sua propriedade, e terá distribuição a cargo da Warner . 'Banda Larga é o tema central, que fala sobre novas tecnologias e a sua ligação com a arte. Cordel é uma homenagem e um retorno às tradições dos poetas nordestinos.'

O cantor, que não lançava nenhum trabalho autoral há dez anos, desde Quanta, apresenta o álbum só com inéditas. Além de toda a questão digital, ele encontrou ainda espaço para homenagear sua esposa, Flora Gil, na canção A Faca e o Queijo, composta em 1996 e nunca lançada.

O músico explica o jejum: 'Eu não tinha condições de compor. Saía do Ministério muito tarde e não dava para deixar a porta da inspiração aberta. Agora eu estou retomando porque sei que não vou ser ministro a vida inteira. Este álbum é uma resposta que diz assim: olha, estou aí de volta compondo.'

O interesse de Gil pelo mundo digital vem desde os tempos da Tropicália, ainda nos trabalhos Cérebro Eletrônico e Futurível, lançados no distante ano de 1969. Mas o interesse se intensificou mesmo em 1996, quando lançou na rede mundial de computadores, ao vivo, o single Pela Internet.

Gil está tão à vontade no mercado virtual que até a seqüência na qual as faixas foram dispostas no disco não seguiu uma ordem lógica. 'Não escolhi uma música específica para abrir ou fechar o álbum. A pessoa não escuta mais um CD de forma linear. Ela escolhe qualquer uma e vai ouvindo. Existe ainda o caso da pessoa nem comprar o disco, apenas uma ou duas faixas, pela internet.'

Para Gil, suas incursões no mundo digital que vão além do experimentalismo são irreversíveis. Ele revela que tem assumido, inclusive, as conseqüências financeiras que advêm deste novo mercado. 'Estudamos junto com a Warner a possível disponibilização dos meus fonogramas para recombinações e compartilhamentos das músicas. É todo um mundo novo que se abre. E ainda não sabemos no que isso vai dar, quando se diz respeito à remuneração ou à autorabilidade das músicas que daí surgirem.'

Mas se o tema o fascinava há 30 anos, hoje, em seus shows, ele parece ter chegado ao ápice da digitalização. Em sua última turnê, por exemplo, Gil tirou dos ingressos a tradicional e antipática proibição de fotografar e filmar. No lugar, colocou o caloroso aviso 'grave e filme o que quiser e o que puder'. 'Se quiserem divulgar na internet os vídeos, que o façam.'



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in Jornal da Tarde, 15.05.2008
 
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