Gil estende no varal da web seu "Banda larga cordel"

Leonardo Lichote

Cantor apresenta novo CD em entrevista coletiva virtual

"Pela internet", diz a canção de Gilberto Gil de 1997. Mais de dez anos depois, o cantor e compositor retoma o mote e,
pela internet, apresenta à imprensa seu novo disco, "Banda larga cordel" (Warner) - o primeiro calcado em inéditas
desde "Quanta" (1997). Anteontem, ele concedeu uma entrevista coletiva virtual para falar do trabalho. A iniciativa
tecnológica se afina com o conceito das novas letras, com as idéias que defende como ministro da Cultura e também
com o formato no qual o álbum chegará ao público - fisicamente, em versões de 14 e 16 músicas, e, pela rede, com as faixas separadas. Dessa forma, notou o próprio artista, a palavra "álbum", entendida como produto fechado, talvez nem seja adequada:

- Foi a primeira vez em que não me preocupei com a ordem do disco. Porque a pessoa pode baixar a última música
primeiro, ou pegar só três, quatro, e fazer seu CD.

Apesar da abertura conceitual defendida por Gil ("Banda larga fala de um alargamento das bandas no sentido técnico e poético, e cordel é um gênero amplo de poesia"), o disco tem um eixo. Aborda questões contemporâneas sobre sexualidade (o malicioso xote "Despedida de solteira"), privacidade ("Olho mágico"), a conversa de música e tecnologia ("Máquina de ritmo") e inclusão digital (a música-título). Nos versos e temas, aparece o olhar político do ministro:

- Até em "Não tenho medo da morte", uma reflexão sobre a finitude, surge uma imagem das minhas andanças políticas ("Assim como um presidente/ Dando posse ao sucessor/ Terei que morrer vivendo/ Sabendo que já me vou").

O CD, que chega às lojas físicas e virtuais no dia 17 de junho, traz pistas do que poderia ter sido o "disco de samba" que Gil anunciou há anos. Algumas de suas faixas foram pensadas para aquele projeto, como a releitura de "Formosa" (Baden Powell e Vinicius de Moraes).

- É um samba minimalista, de frases curtas. Minha interpretação insiste no minimalismo. Corto palavras da letra, como João Gilberto costuma fazer.

Turnê brasileira do CD só a partir de agosto

Questionado sobre o descompasso entre sua defesa da flexibilização do direito autoral e a demora em liberar sua obra, Gil disse que seu discurso "não é blefe, e sim um experimentalismo gradual, necessário para conhecermos a nova realidade": - Use com moderação para não ficar bêbado. Não daria em nada tomar um porre de liberalização. Em junho, Gil inicia a turnê internacional do CD. A partir de agosto, "Banda larga cordel" chega aos palcos brasileiros, ainda sem datas definidas.



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in O Globo, 16.05.2008
 
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