Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis apresentam o show Trinca de Ases na Barra no fim de semana

RIO — No ano passado, Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis cantaram juntos pela primeira vez em um evento em homenagem ao centenário de Ulysses Guimarães, organizado pelo jornalista Jorge Moreno Bastos em Brasília. Do encontro quase sem nenhum ensaio, surgiu a sintonia e a vontade de união. E o resultado (para lá de generoso) foi uma turnê. “Trinca de ases”, nome do show e de uma canção inédita feita por Gil, chega ao Rio nesta sexta e no sábado, às 22h no KM de Vantagens Hall, na Barra.

— Nós fizemos (o evento organizado por Moreno), curtimos o trabalho juntos e pensamos que assim que surgisse uma oportunidade faríamos o show em outras cidades. Agora, coincidiu de termos espaço nas agendas e resolvemos cair na estrada — explica Gilberto Gil. — É muito bom voltar a canções antigas de forma nova, com a visão dos dois colegas sobre elas, e fazer o mesmo com músicas do repertório de Gal e Nando. Fora o material inédito criado especialmente para o projeto.

Além da música de Gil em homenagem ao trio, outras três foram compostas exclusivamente para a turnê. “Tocarte” é uma parceria de Gil e Nando, e “Dupla de ases” e “Mãe de todas as vozes” são de autoria de Nando, sendo a última feita em homenagem a Gal Costa.

— Já havia feito uma música para ela, “O vento noturno do verão” — conta Nando Reis. — Cheguei inclusive a convidá-la para cantar comigo. Mas essa nova é uma outra história. A primeira foi a partir do que eu ouvi dela. Essa é sobre ela, sobre a voz da Gal.

Ao saber da homenagem, Gal conta que não segurou a emoção:

— Eu fiquei emocionada. Ele mostrou a música na minha casa e chorei. Estou muito feliz.

A apresentação conta, ainda, com releituras de “Esotérico”, “Baby” e “Segundo sol”. O baixista Magno Brito e o percussionista Kainan do Jêjê acompanham o trio.

Chamado de “menino impetuoso e viril” na canção de Gil, Nando encara a experiência de cantar com ele e Gal, referências em sua formação musical, como um aprendizado:

— Tem sido incrível. Grande experiência de convívio, de troca, de conhecimento, aprendizado. Ver a forma como cada um dos dois trabalha, o pensamento, a construção, e juntar tudo isso com a minha maneira. Ver, também, como eles vão descobrindo minha forma, minha música, até chegarmos ao ponto em comum, que sempre nos dá grande alegria.

Gil retribui:

— Gal e eu caímos na estrada na mesma época e desde os tempos de Salvador nos apresentamos juntos. Foram muitos shows. Nando confessou grande admiração por nós dois, e eu também presto atenção a ele já há algum tempo. Gosto muito do violão folk dele.

Apesar de toda a experiência, Gal revela que está ansiosa com o show, e Gil revela a preferência por se apresentar perto de casa.

— É muito gostoso. Quem adorava isso era o Tom Jobim, e ele tinha razão. Em show perto de casa não é preciso pegar avião, dormir em hotel, andar por cidades que não conhecemos tão bem. Aqui, rapidinho vou de minha casa (em São Conrado) para o show.



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in O Globo, 11.08.2017
 
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