Gilberto Gil faz show em Salvador em comemoração aos 40 anos do disco “Refavela”

“Refavela é um disco lindo, sempre imaginei a sua transposição para o palco. Não era nascido quando meu pai rodou com esse show pelo Brasil e resolvi juntar os amigos a fim de recriar o repertório e a força dessa obra que mexe com todos nós”, conta Bem Gil, idealizador, diretor artístico e musical do projeto que comemora a trajetória do disco considerado um dos mais emblemáticos e também o mais africano da carreira de Gil, todo ele inspirado pela ida à Nigéria, no mesmo ano. Refavela 40 leva para o palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves no dia 23 de setembro, as vozes de Gilberto Gil, Céu, Maíra Freitas e Moreno Veloso, na companhia dos músicos Bem Gil (guitarra), Bruno Di Lullo (baixo), Domenico Lancellotti e Thomas Harres (bateria e percussão), Thiagô de Oliveira e Mateus Aleluia (sopros), Nara Gil e Ana Cláudia Lomelino (vocais). Ainda há ingressos disponíveis.

“Refavela” (1977), disco central da trilogia iniciada com “Refazenda” (1975) e concluída com “Realce” (1979) traz na capa interna seu conceito, pontuado pelo mestre Gil:

“refavela, como refazenda, um signo poético.

refavela, arte popular sob os trópicos de câncer e de capricórnio.

refavela, vila/abrigo das migrações forçadas pela caravela.

refavela, etnias em rotação na velocidade da cidade/nação.

não o jeca mas o zeca total.

refavela, aldeia de cantores, músicos e dançarinos pretos, brancos e mestiços, o povo chocolate e mel

refavela, a fraqueza do poeta; o que ele revela, o que ele fala, o que ele vê.”

Com shows marcados na Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul o show é uma realização da Xirê Eventos, com produção local assinada por Ivanna Soutto|Produção de Conteúdo e apoio cultural do Sheraton Bahia Hotel, Nova Brasil FM, Mito Culture Club e Santa Emília empreendimentos.

“A ideia de reunir novamente as canções de Refavela em um show surgiu mais da vontade coletiva em mergulhar nesse repertório do que de qualquer outra coisa”, esclarece Bem Gil. “O conteúdo poético e filosófico do disco, através de suas letras, se mantém atual, e isso por si só já seria o suficiente para que o trabalho de 77 fosse visitado por nós e revisitado pelo próprio Gil, mas o que nos move nesse caso é a música ali existente, a beleza e a riqueza da guitarra de Perinho, do baixo de Rubão, das baterias de Paulinho, Chiquinho e Robertinho, enfim, da inspiração de todos os criadores dessa obra fundamental na formação de cada integrante do Refavela40”.

“Gil voltou da África inspirado. Fez seu caminho de volta ao Brasil com esse disco lindo: Refavela. Como uma segunda volta, um reencontro, o reconhecimento sonoro imediato, uma visão pessoal interna e musical da sua origem brasileira com tudo o que ela é, aumentada pela lente da realidade Nigeriana. O resultado dessa viagem é ricamente estampado no som, nos arranjos, nas composições e nas escolhas de Refavela. Eu adoro e sempre adorei!”, festeja Moreno Veloso.

“A Céu, o Moreno e a Maíra compartilham desse gosto profundo pelo Refavela, assim como todos os músicos escolhidos para o show que celebra os 40 anos de lançamento do disco. Aliás, esse foi o principal critério utilizado por mim na hora de montar o grupo, mais do que uma recruta baseada em estilo ou técnica (que o repertório pudesse sugerir como exigência), quis estar perto dos amigos músicos que se divertirão tanto quanto eu durante todo o processo de realização desse trabalho, desde os estudos até o palco”, completa Bem Gil.

SOBRE O ÁLBUM REFAVELA

Há 40 anos, o cantor e compositor Gilberto Gil fez sua primeira viagem à Nigéria para participar do FESTAC 77 (Festival Mundial de Arte e Cultura Negra), em Lagos, onde reencontrou uma paisagem suburbana muito similar aos conjuntos habitacionais construídos na década de 1950 no Rio de Janeiro e Salvador, que tinham nas duas cidades o objetivo de recuperar a dignidade das pessoas por meio de uma moradia melhor, muitas vezes transformadas em novas favelas.

Refavela foi estimulada, segundo Gil, por este reencontro, de cujas visões nasceram também a própria palavra, embora já houvesse o compromisso conceitual com o “re” para prefixar o título do novo trabalho, de motivação urbana, em contraposição à Refazenda, o anterior, de inspiração rural, e que junto com Realce moldaram a trilogia RE, criada pelo compositor.

O disco foi gravado em 1977, no estúdio de 16 canais da Phonogram, e, segundo Gil, “era época do movimento Black Rio, com o funk começando por aqui e eu quis gravar algo como aquela versão de “Samba do Avião”, o disco era pra isso, para registrar os “aforismos” que havia na época – como era a juju music de Balafon e os blocos afro-baianos do Ilê Aiyê“.

SOBRE OS PARTICIPANTES

CÉU – A cantora e compositora paulista, ganhadora do prêmio de Artista do Ano em 2016 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA, iniciou sua carreira em 2005, com influências diversas, do samba de raiz ao jazz, passando por diversas sonoridades urbanas. Com quatro álbuns lançados, destacou-se em 2016 com Tropix, ganhador do Grammy Latino de Melhor Álbum Pop em Língua Portuguesa e de Melhor Engenharia de Gravação, além do reconhecimento internacional. Já se apresentou nos maiores festivais do mundo, como Montreal Jazz Festival, North Sea Jazz, Coachella, Roskilde, Rock in Rio, SF Jazz, JVC Jazz, entre outros.

MORENO VELOSO – O cantor e compositor baiano é filho de Caetano Veloso. Ainda jovem, colaborou com seu pai na letra da música Um canto de afoxé para o bloco do Ilê, do álbum Cores, Nomes, de 1982. Com dois álbuns lançados, Máquina de Escrever Música (2000) e Coisa Boa (2014), o músico também integra a Orquestra Imperial, orquestra de gafieira criada em 2002 ao lado de nomes como Thalma de Freitas, Kassin e Rodrigo Amarante.

MAÍRA FREITAS– A cantora carioca é filha de Martinho da Vila. Com dois álbuns lançados (Maíra Freitas, de 2011 e Piano e Batucada, de 2015), a artista também é pianista de formação clássica, arranjadora e compositora. Já se apresentou em festivais na Europa e América Latina e foi também um dos destaques do evento Porto Musical/Womex em Recife, no ano de 2013, repetindo, posteriormente, o mesmo show no festival “Back 2 Black”, no Rio de Janeiro.

SOBRE BEM GIL

O músico e produtor carioca teve contato com o violão ainda na adolescência, com o músico baiano Cézar Mendes, mas logo migrou para guitarra elétrica (seus dois principais instrumentos).

Trabalha, há 10 anos, com o pai, Gilberto Gil, atuando nos palcos e nos estúdios (é o produtor do novo disco de inéditas de Gil com previsão de lançamento para 2018).

Em 2007, fundou o grupo Tono, com o qual já lançou três discos, e produziu, em 2015, o elogiado disco solo da parceira de banda Ana Lomelino intitulado mãeana.

Atualmente, acompanha o escritor e compositor Jorge Mautner, além de trabalhar com Adriana Calcanhotto em seu novo projeto.



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in Dois Terços, 29.08.2017
 
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