Refavela, de Gil, e clássicos de Jobim são relançados em vinil

LPs clássicos de dois dos maiores artistas da MPB serão relançados em vinil de 180 gramas e capricho nas capas pela gravadora Polysom, especializada em reedições de grandes álbuns nacionais. Um é Refavela, disco de 1977 de Gilberto Gil. Outros dois são trabalhos de Tom Jobim: Urubu, de 1976, e Terra Brasilis, de 1980.

Refavela já está em pré-venda no site da Polysom por R$ 99. A entrega começa em 20 de setembro.

A gravadora colocou um vídeo sobre este relançamento em sua página no Facebook. Você pode vê-lo abaixo:

Refavela é o segundo trabalho do que acabou sendo chamada de “Trilogia do Re”, iniciada por Refazenda, de 1975, e concluída com o megahit pop Realce, de 1979.

É um LP em que Gil trabalhou muito com as influências africanas. Elas foram aproveitadas com um jeito mais pop na faixa-título e estão presentes nas celebrações dos ritmos do Carnaval da Bahia das faixas “Ilê Ayê” e “Patuscada de Gandhi”.

Gil também colocou um pouco de reggae em “No Norte da Saudade” e explorou arranjos meio funk, meio jazz – como na cover de “Samba do Avião”, de Tom Jobim.

Mesmo com tantos ritmos, dois pontos altos de Refazenda são mais calmos e reflexivos: “Aqui e Agora” e “Era Nova”.

Dose dupla de Tom

Já os relançamentos de Tom foram anunciados, mas a pré-venda só começará daqui a alguns dias, segundo informações da Polysom.

Gravado em outubro de 1975 em Nova York e lançado somente em novembro de 1976, Urubu é um álbum em que Jobim teve a colaboração importante do maestro alemão Claus Ogerman, nos arranjos e na produção.

Veterano que trabalhou com artistas tão diferentes como as cantoras Billie Holiday e Barbra Streisand, Ogerman — que morreu em 2016 — já tinha feito em 1967 os arranjos da obra-prima Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim, parceria de Frank Sinatra com o compositor brasileiro.

O LP se divide em metades. O lado A tem músicas cantadas. “O Boto” (um dueto com a cantora Miúcha) reflete as preocupações ecológicas cada vez maiores de Jobim. Já “Lígia” e “Ângela” são duas poderosas canções de amor que ficam mais intimistas com o cantar despojado de Tom.

O lado B tem faixas instrumentais em que a grandiosidade da orquestração de Ogerman dá mais brilho a composições como “Saudade do Brasil” e “O Homem” — esta com um jeitão de tema de filme de espionagem dos anos 1960.

Os amigos Jobim e Ogerman voltaram a trabalhar juntos em Terra Brasilis, álbum duplo lançado em 1980. Mas o alemão apenas fez arranjos e conduziu a orquestra, sem cuidar da produção.

Tom revisita várias composições que o tornaram internacionalmente famoso, como “Dindi”, “Desafinado” e “Wave”. Só que, nelas, ele busca climas mais descontraídos, mesmo que os instrumentais sejam precisos e irretocáveis.

Solto, o compositor canta às vezes em inglês, noutras em português. Também arrisca alguns scats, como nos “do-bi-do-bi-dô” nas primeiras partes de “One Note Samba” e “The Girl from Ipanema”.

Nesta versão em inglês de “Garota de Ipanema”, Jobim soa relaxado como se estivesse numa mesa de bar de frente para a praia com um chopinho à sua frente. Consegue criar um interesse novo para uma música que já era manjada demais há 37 anos.

Esses três álbuns merecem a redescoberta pela nova geração de interessados em LPs de vinil. Também pode substituir cópias antigas que se desgastaram de tanto que foram colocadas na vitrola.



twitter
in VIP, 11.09.2017
 
2670 registros:      1 2 3 4 5 6 7 8 > >|