Show Trinca de Ases, com Nando Reis, Gal e Gil chega a Fortaleza

Referências de diferentes épocas, donos de longas carreiras que desaguaram em obras plurais. Nando Reis, Gal Costa e Gilberto Gil têm muito a contar sobre a vida e o trabalho com música, e o farão juntos amanhã, 16, no Centro de Eventos do Ceará. Os três se encontram no projeto Trinca de Ases, que nasceu no ano passado como um espetáculo único - a convite do jornalista Jorge Bastos Moreno (1954 – 2017)- , para celebrar o centenário de Ulisses Guimarães O resultado agradou a todos e tornou-se turnê.

Com os três provando diferentes formações, um repertório de diversas lavras é recriado no palco. Lately, de Stevie Wonder, tem a letra original cantada por Nando antes de Gal emendar a versão em português de Ronaldo Bastos. Feita por Nando para a filha Zoé, Espatódea também ganha a voz da baiana. De Gilberto Gil, também é ela quem canta (pela primeira vez) Meu Amigo, Meu Herói.

“É mais um trabalho que a vida de um artista coloca diante dele. Música é o meu ofício, o de todos que estão envolvidos. A ideia de juntá-los é uma decorrência natural do convívio”, simplifica Gilberto Gil, por telefone. Aos 75 anos, o compositor está se recuperando de um período difícil para a saúde, com diversas internações. “Agora estou bem”, tranquiliza-se enquanto emenda projetos de disco novo, um tributo à própria obra (cantado por Roberta Sá) e um show para comemorar os 40 anos do álbum Refavela.

Quanto às canções inéditas, Tocarte, primeira parceria do baiano do Nando Reis, é uma amostra que poderá ser vista no show deste sábado. “De vez em quando, me dá vontade de mostrar canções novas. Quando aparecem fatos, pessoas, sentimentos, estado afetivo, algo que demanda fazer uma canção”, enumera Gil. “Ao mesmo tempo eu vivo a fartura de um trabalho de 500 e tantas músicas, de tantas épocas, públicos que foram aderindo ao repertório de várias fases diferentes. Muito do nosso trabalho é de revisitar. Em toda a performance do trabalho artístico está o cuidado com a memória. Fica menos voluptuosa essa vontade de canções novas”, acrescenta.

Além de Tocarte, Trinca de Ases apresenta outras duas inéditas de Nando Reis: Dupla de Ás e Mãe de Todas as Vozes, esta uma homenagem a Gal Costa. Sobre compor mais ao lado do paulistano, Gil adianta que a agenda é um dificultador. “Não estamos confinados a esse trabalho. Estamos dando continuidade aos outros trabalhos”, lamenta, lembrando que Nando Reis segue a turnê do disco Jardim-Pomar (2016) e Gal está perto de lançar CD e DVD com registro do show Estratosférica.

E, se o encontro é inspirador para Gil, ele sempre alimentou essa fonte criativa. Seu último disco foi a celebração de 50 anos de carreira dividida com o amigo Caetano Veloso. Também ao lado do parceiro, em 1976, ele montou os Doces Bárbaros (que contava ainda com Gal e Maria Bethânia). No ano seguinte foi a vez da Refestança, show/disco dividido com sua musa Rita Lee. A essa lista, some-se ainda discos com Milton Nascimento, Jorge Ben, Marlui Miranda e outros. “Eu gosto de parcerias. Eu gosto e vou continuar fazendo”, adianta.

Bate-pronto com Nando Reis

O POVO – Quando e como você conheceu Gal e Gil?

OP– Já vi você comentar em outras situações sobre sua admiração pelo Gil, principalmente nos primeiros discos. De que eu formas ele te influenciou?

OP – Você é muito reconhecido como um autor de muitas intérpretes. Tem alguma música sua que, em especial, você esperava ouvir na voz da Gal?



twitter
in O Povo, 15.09.2017
 
2822 registros:  |< < 2 3 4 5 6 7 8 9 > >|