Gil, filhos e amigos celebram 40 anos de Refavela na Concha

O cantor, músico e produtor carioca Bem Gil, 32 anos, não era nem nascido quando o pai, o cantor baiano Gilberto Gil, 75, lançou o emblemático disco Refavela, em 1977. Mas, diante da força do álbum que completa 40 anos este ano, se viu motivado a juntar os amigos para revisitar o repertório do disco central da trilogia iniciada com Refazenda (1975) e finalizada com Realce (1979). O resultado pode ser visto no show Refavela 40, que será apresentado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, sábado (23), às 19h.

O clima despretensioso dá uma ideia da apresentação que parece uma reunião de família e amigos que têm forte relação com o disco considerado um dos mais africanos de Gil, já que é inspirado em sua viagem à Nigéria. Além do anfitrião, o show Refavela 40 conta com as vozes de Céu, Moreno Veloso, filho de Caetano, e Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila, acompanhados por Ana Cláudia Lomelino e Nara Gil, filha mais velha de Gil.

O time de músicos inclui Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Thomas Harres, Thiagô de Oliveira e Mateus Aleluia, filho do cantor e compositor baiano Mateus Aleluia. Além deles, a banda conta com o próprio Bem, idealizador, diretor artístico e musical do projeto que garante que a ideia sempre foi não dar trabalho ao pai, além do necessário.

Por isso, apenas no último dia dos ensaios com a banda, Gil apareceu no estúdio e perguntou: “e aí, filho, o que é para eu fazer?”, lembra Bem, rindo. “Já falei, pai. Você vai fazer Refavela, Babá Alapalá e outras músicas que seguiu fazendo de lá pra cá”, respondeu. Além dos dois clássicos, Gil interpreta a música É, que ficou de fora do disco Refavela e foi resgatada em novo arranjo para o show, e outras canções que não fazem parte do álbum, como Sítio do Pica-Pau-Amarelo.

“Não queria que meu pai tivesse que decorar uma letra, nada disso”, justificou Bem, ao ressaltar que a proposta do show é prestar uma homenagem despretensiosa. “Inclusive não chamo nem de show, estou chamando de ritual. A sensação é que a gente está meio no estúdio, em casa, no terreiro e até no show, já que tem pessoas assistindo. Tem sido muito gostoso”, garante.

Gil concorda e reforça que o show é uma grande celebração à vida, porque “é feita pelos filhos e pelos filhos dos amigos.”. “É uma grande família musical, artística, existencial brasileira. É uma celebração nesse sentido, como um ritual”, diz. “Gosto muito do show, até porque são meninos novos fazendo releituras não rigorosas e ao mesmo tempo fiéis ao que foi imprimido no disco, mas colocando aqui e ali novos elementos, influências, pequenos detalhes de reinterpretação”, completa.

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in Correio 24 horas, 18.09.2017
 
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