Gilberto Gil participa de inauguração de painel na Cinelândia em sua homenagem

RIO - O músico Gilberto Gil fez uma rápida aparição no meio da Cinelândia na tarde desta segunda-feira para inaugurar um painel com o seu rosto pintado. A arte fica no respirador do metrô e faz referência à famosa canção “Aquele abraço”. De autoria dos artistas Ozi e Coletivo Nata Família, a pintura foi feita a pedido do MetrôRio, que no ano passado apagou outra obra em homenagem a Gil no mesmo local.

A empresa diz que o antigo painel sofreu pichações durante manifestações e precisou ser coberto. No seu discurso, feito no meio da praça, sem microfone, Gil disse que estava ali mais para prestar solidariedade a quem faz esse tipo de arte do que para receber uma homenagem.

- Do ponto de vista das manifestações ligadas às ruas, ligadas ao povo, às pessoas que ocupam as ruas, é importante a iniciativa, a execução e a recepção desse painel pelo povo do Rio de Janeiro. Afinal de contas, são artistas que vêm, não só no Brasil, mas no mundo todo contribuindo de forma importantíssima para o embelezamento das cidades. Você vê em Nova York, em Lisboa Angeles, em Paris, Roma, Zurique. Qualquer lugar que você vá no mundo há esse tipo de manifestação artística, através de painéis, através de representações variadas, pictóricas, da vida cultural dos lugares.

O cantor e compositor baiano, que cantou o refrão de “Aquele abraço” ao lado de Tia Surica, representando “todo mundo da Portela”, e de Leleco Barbosa, filho de Chacrinha, ainda destacou que qualquer outro artista brasileiro, como Dorival Caymmi, poderia estar ali naquele painel. Ainda falando sobre o papel da arte urbana, o compositor acrescentou:

- Nesse sentido, sim, Gilberto Gil se sente extraordinariamente considerado por estar sendo motivo de manifestação de artistas populares no Centro da cidade do Rio, com uma arte que vem tendo recentemente no Brasil atitudes negativas por parte de alguns governos municipais. É preciso, portanto, chamar a atenção que esse é um tipo de arte em crescimento e ascensão no mundo inteiro.

O mural tem duas faces: de um lado, o retrato de Gil em um fundo inspirado na capa do seu LP de 1968; do outro, há quatro personagens mencionados na canção (Chacrinha, “a moça da favela”, “todo mundo da Portela”, simbolizada por Tia Surica, e a “torcida do Flamengo”, simbolizada por Zico).



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in O Globo, 18.12.2017
 
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