Além de álbum de época

Nem os universitários que cultuam o pé de serra nem as megabandas eletrônicas. As experiências mais interessantes de atualização do forró estão em discos conceituais, como este Fé na festa. Gilberto Gil não é forrozeiro, mas para ele a música difundida por Luiz Gonzaga é, além de influência, uma referência afetiva. Ao longo da carreira, o baiano tem assimilado o forró sem prendê-lo a um nicho, mesmo ao fazer discos como As canções, de Eu, tu eles (2000), ou São João vivo (2001), especialmente voltados ao gênero.

Isso se repete em Fé na festa, que se configura não apenas como um disco de forró, mas de música pop e moderna, ainda que gravite em torno do clima festivo nordestino do mês de junho. Na sonoridade, colabora o fato de Gil trabalhar com músicos que não estão necessariamente ligados ao forró, mas de talento e versatilidade notórios, como o acordeonista Toninho Ferragutti e o rabequeiro Nicolas Krassik. Ao mesmo tempo, nas letras, o compositor investe na diversificação de temas, sem abrir mão da ludicidade típica do forró.

Fé na festa resulta num álbum musicalmente colorido como as festas juninas, mas que extrapola o caráter de disco de época. Aliás, uma das músicas resume bem o que acontece quando Gilberto Gil cai no forró: "Não posso fazer feio, não/ Isso eu aprendi com o rei" (Aprendi com o rei, de João Silva). Gil aprendeu mesmo, e não podia fazer mais bonito.



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in Diário de Pernambuco/ Online, 29.06.2010
 
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