'Médico dos poderosos' toca canção de Gil ao saxofone e comove cantor

Gilberto Gil, que é hipertenso, chorou ao ouvir seu cardiologista, Roberto Kalil Filho, tocar “Se eu quiser falar com Deus”, em evento no hospital Sírio-Libanês

O cardiologista Roberto Kalil Filho, conhecido como “o médico dos poderosos” por já ter tratado do coração de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Serra, entre outros políticos brasileiros, “testou” o coração de um de seus pacientes mais ilustres, o cantor Gilberto Gil, 75, nesta quarta-feira (25), de uma maneira inusitada.

Presente no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em um evento sobre hipertensão como convidado, Gil dividiu o palco do auditório com médicos, entre eles, Roberto Kalil Filho, diretor do Departamento de Cardiologia do hospital Sírio-Libanês, com o propósito de compartilhar sua experiência com a doença. O cantor sofre de insuficiência renal crônica associada à hipertensão.

Ao fim do evento, que durou em torno de uma hora e meia, Kalil anunciou que tinha uma surpresa para o cantor: um grupo musical formado por funcionários do hospital, chamado InCordes, reproduziu algumas de suas canções. “O que vale é que é de coração”, ressaltou o cardiologista.

Mas a homenagem foi além. O próprio Kalil tocou, solo, duas canções – “A paz” e “Se eu quiser falar com Deus” – ao saxofone. Foi quando o cantor não conteve a emoção e chorou. “Vale a pena ter saúde, andar pela vida e envelhecer para ver coisas como essas”, disse.

Gilberto Gil já foi internado diversas vezes no hospital para tratar da insuficiência renal crônica, além de fazer check-ups. Nesta quarta-feira (25), ele iniciou o talk show, como foi chamado o evento, frisando que havia medido sua pressão naquela manhã e que estava 12 por 8, considerada dentro da normalidade – pressão alta é aquela acima de 14 por 9. “Voltou ao patamar histórico”, afirmou.

Em seu depoimento, ele contou que o pai era médico no interior da Bahia e que lá a pressão era chamada de “tensão”. “Falavam ‘vou tirar sua tensão’”, lembrou. “Minha pressão era 12 por 8. Uma subida súbita e constante me levou aos exames”.

Segundo ele, a partir de então, o controle da pressão passou a ser um hábito. “Um diálogo permanente com meus médicos”.

Saúde na prisão

O cantor revelou que começou a cuidar da saúde na prisão. Quando foi preso político em 1968, teve contato pela primeira vez com a alimentação macrobiótica, dieta baseada em cereais integrais, legumes e vegetais, que valoriza os alimentos cozidos. “Chico Buarque me chamava de ‘figura redonda’. Eu tinha sobrepeso. Não era nada extraordinário, mas significativo do meu ponto de vista. E essa alimentação me ajudou a perder peso”, afirma.

Ele conta que pedia “aos meninos que serviam a cela” para diminuir o sal e a proteína animal e enfatizar os grãos, como o feijão. “Saí da prisão dois meses depois, mas decidi manter essa dieta. Passei o resto da vida usando a macrobiótica. Hoje faço certa variação, mas sempre procuro equilibrar porcentagem expressiva de grãos e legumes”.

Gil afirmou que também faz exercícios. “Ioga”, disse. “Há várias formas de exercício, desenvolvidas pela Ocidente, pela África, pelos índios. Existe uma variedade grande que permanece como elemento importante dessas comunidades todas”.

Depois de uma pergunta feita por um homem na plateia sobre como prevenir a volta da hipertensão após ter emagrecido mais de 200 kg ter sido respondida pela médica especializada em esporte com a recomendação da prática da atividade física, Gil acrescentou: “Crie seus próprios exercícios. Dentro de seu histórico, invente os seus próprios exercícios. Subir a escada, por exemplo. As escadas estão à disposição para todo mundo”.

“A principal coisa é o bom senso, que pode ser alcançado pelo conhecimento que você adquire com seus médicos e com esse mundo de informações que temos atualmente”, completou.



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in R7, 25.04.2018
 
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