Com Gil e Ivete, Allianz Parque estreia área para competir com Credicard Hall

Estádio mais utilizado do país em 2017 para shows de grande porte —entre 25 mil e 50 mil pessoas—, o Allianz Parque inaugura nesta sexta (1º), com uma apresentação conjunta de Gilberto Gil e Ivete Sangalo, um novo formato de utilização de seu espaço.

Para concorrer com as principais casas de tamanho médio de São Paulo, a arena do Palmeiras passa a ter uma área destinada a shows para público entre 5.000 e 11 mil pessoas.

Ela fica atrás de um dos gols, entre as traves e a arquibancada, deixando o gramado livre.

Isso permite que o campo seja rapidamente utilizado para jogos, como acontecerá neste fim de semana —menos de 24 horas após o show dos baianos, o Palmeiras recebe o São Paulo no estádio, pelo Campeonato Brasileiro.

"Identificamos uma lacuna em São Paulo de espaços cobertos para mais de 7.000 pessoas, que é a capacidade do Espaço das Américas e do Credicard Hall", diz Rogério Dezembro, CEO da W/Torre Entretenimento, administradora da arena.

Segundo ele, foram investidos cerca de R$ 40 milhões para criar o novo espaço, nomeado Allianz Parque Hall. O dinheiro foi gasto na infraestrutura de backstage e no reforço da cobertura da arquibancada, onde ficará a maior parte da plateia.

Por sua maleabilidade, o formato será o mais utilizado para shows doravante —há cinco apresentações sendo negociadas para este ano e dez para 2019.

Como não são muitos os artistas nacionais capazes de atrair um público de até 11 mil pessoas nas atuais circunstâncias, decidiu-se inaugurar o espaço unindo Gil e Ivete —dupla que já tem uma longa história em conjunto.

"Fizemos o disco com o Caetano [2012], muitas participações no Carnaval, mesmo antes de ela estourar. Tornou-se uma grande amiga, somos admiradores mútuos do trabalho um do outro", diz Gil.

"Ele sempre foi um grande estímulo para mim, um cara inquieto, criativo. Sempre tive grande admiração pela forma como ele se comporta no palco, é muito visceral, apaixonado por música", diz Ivete.

A apresentação terá momentos solo de cada um deles, mesclados a músicas cantadas em dupla. Em termos de repertório, a cantora diz que será um show feliz. "Não só na alegria de assistir, mas na pulsação. É bem para cima, cheio de energia."

Cada um deles palpitou nas canções que gostaria que o outro cantasse. "Eu sugeri a ela fazer comigo 'Céu da Boca', um axé daqueles bem baianos, com múltiplos sentidos. Ela me sugeriu fazer a música do Stevie [Wonder], 'I Just Called to Say I Love You', para a qual eu fiz uma versão."

De sua parte, Ivete cita "Toda Menina Baiana" e "A Novidade", do repertório gilbertiano, e "A Vontade", canção recente de sua safra.

Por fim, haverá espaço para uma inédita de Gil, "Afogamento", que ele gravou com Roberta Sá.

Ivete diz que a dupla já tem em mente uma turnê conjunta nesse formato, uma série de dez shows. "Toda vez que a gente se encontra, falamos nisso. Não aconteceu ainda por causa de agenda. E agora eu sou mãe de três, né?".

Pós-inauguração, Gil seguirá com a turnê "Refavela 40", em comemoração aos 40 anos do álbum, pelo verão europeu —em cidades como Londres, Paris e Montreux, na Suíça.

Já Ivete diz que sua agenda "caiu toda" desde o nascimento das gêmeas, em fevereiro. "Agora tenho três filhos, sou outra mulher, mudei muito. Estou poderosa, é a melhor coisa do mundo."

A baiana fará "no máximo quatro apresentações" pelo país até o final deste ano, quando planeja gravar um DVD em São Paulo, com um repertório essencialmente inédito. "Estou começando a compor agora, vislumbrar arranjos e participações."



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in Folha de S. Paulo, 31.05.2018
 
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