Gilberto Gil se mostra disposto ao lançar disco de inéditas e programa no Canal Brasil

Depois de passar por várias internações, devido a uma insuficiência renal, entre 2016 e 2017 e ficar muito abatido por causa da doença, Gilberto Gil mostra que voltou a ficar super disposto. Na noite de quinta-feira, o cantor e compositor participou de um lançamento duplo: de seu novo disco, “Ok ok ok”, e do programa de entrevistas “Amigos, sons e palavras”, que estreia dia 21 no Canal Brasil.

A festa aconteceu no OM.Art, no Jardim Botânico, e foi precedida de uma coletiva de imprensa informal, em meio a alguns convidados mais próximos do artista e da família, como a filha Preta e a mulher Flora. “É a reiteração de minha vitalidade de fazer as coisas com gosto e disposição. Foram quase dois anos apenas cuidando da saúde”, fala Gil, satisfeito. Mais ainda quando dá um gole no copo ao seu lado: “Eu perguntei para o dr. Roberto (Kalil Filho) se podia e ele disse que sim. Depois de tanto tempo, estou tomando meu gim!”. Gil refere-se ao médico que cuidou dele e que, além de ser um dos entrevistados do programa, ganhou a faixa bônus “Kalil” no CD.

No programa dirigido por Leticia Muhana e Patrícia Guimarães, Gil abre com uma música para então começar a entrevista. O primeiro episódio é com o parceiro e amigo desde 1963, Caetano Veloso, com quem conversa sobre a plenitude de viver e a nossa finitude.

Gil ressalta que muitos dos convidados estão ligados a um círculo de amizades mais recente, surgido nos últimos anos. “Passei a frequentar a casa do Jorge Bastos Moreno, que estava sempre cheia de amigos e acabaram ficando próximos à minha vida afetiva “, lembra ele do amigo que morreu no ano passado. “Ele foi um irmão tardio na minha vida. Fiquei triste com sua partida, mas não adianta ter medo da morte. Um filósofo amigo certa vez me disse: ‘Gil, pense na morte todo dia’. Desde então, faço isso. Se vale a pena viver, então morrer também vale”, afirma.

Dessas amizades, surgiram até musas inspiradoras, como Maria Ribeiro - que também é uma das entrevistadas do programa -, para quem Gil dedica a faixa “Afogamento”, em parceria com Moreno. “Ele, na verdade, colocou uma palavra na letra: boto”, revela, rindo. O disco tem outros dois parceiros, João Donato (“Uma coisa bonitinha”) e o filho Bem (“Sereno”), que também assina a produção.

Difícil mesmo foi decidir o título: “Poderia se chamar ‘Prece’, que é uma das que mais gosto, ou ‘Sereno’, dedicada ao meu neto mais novo. Como estava demorando muito para decidir, Flora e Bem insistiam para que eu escolhesse logo. Aí um dia falei: ‘Ok, ok, ok!’”, conta. A canção fala sobre a insistência para que ele e outros artistas deem opiniões sobre os mais variados temas. “É uma questão de responsabilidade social e de sermos de uma geração que participou de tantas lutas. Quando cantei ‘Cálice’ com Chico (Buarque) foi pela liberdade de Lula e pela defesa dos direitos democráticos”, diz.

Com este lançamento duplo, Gil parece remeter-se à “Louvação”, canção que deu nome a seu álbum de 1967: “Louvo a amizade do amigo/que comigo há de morrer/Louvo a vida merecida/De quem morre para viver/Louvo a luta repetida/Da vida pra não morrer”



twitter
in Jornal do Brasil, 11.08.2018
 
2985 registros:  |< < 1 2 3 4 5 6 7 8 > >|