OK OK OK, Gilberto Gil

Michelle Bruck

Recentemente a música brasileira ganhou mais uma pérola de um de seus representantes mais ilustres. Depois de oito anos sem lançar um álbum de inéditas, Gilberto Gil está de volta com OK OK OK, um trabalho repleto de afetos, posicionamentos e homenagens.

Gilberto Gil é daqueles compositores que consegue transformar qualquer tipo de evento em poesia. Métrica e rima perfeitas que lançam um olhar profundo e delicado para as alegrias, medos, esperanças e, claro, para a situação quase caótica e agressiva pela qual o Brasil e sua sociedade vêm passando, em um tempo em que a intolerância se sobrepõe ao diálogo e ao respeito.

Em OK OK OK, Gil nos mostra seu violão sereno guiado pelas batidas do seu coração. E por falar em “sereno”, este é o nome do seu neto que ganhou uma homenagem delicada, na qual o músico se delicia com o nome e prevê para o novo rebento de Bem Gil uma personalidade tranquila. Já o coração e os rins, órgãos que levaram Gil a um longo tratamento em 2016, com direito a algumas internações, foi celebrado não só nas batidas das composições como também no recado afetuoso aos médicos que trouxeram de volta a Gil, a saúde que, em seus 76 anos de vida, praticamente não havia lhe dado problemas.

Para além dessas personagens e homenagens, Gil celebra a vida, encara a morte, se encanta com sua parceira de vida ao longo de tantos anos, Flora Gil, e se dedica a mostrar que seu potencial criativo está mais forte do que nunca.

Para construir OK OK OK Gilberto Gil contou com a produção artística de Bem Gil, filho de Gil, e que já trabalha há um bom tempo com o pai. É só você lembrar da temporada de Refavela 40 show que marcou os 40 anos do álbum Refavela, e que aconteceu em 2017, que teve participações de primeira linha, que foi conduzido por Bem com maestria e fez uma das obras mais relevantes de Gilberto Gil ser relembrada e reverenciada em todo país. Músico de primeira e conhecedor profundo da obra e personalidade do pai, claro, Bem contribuiu para que Gil colocasse nos mesmo caldeirão musical o reagge, o samba, o rock e as suaves baladas, estilos pelos quais Gil sempre passeou por toda sua carreira.

Outra parte interessante de OK OK OK são as participações especiais, estão lá Roberta Sá em Afogamento, faixa que vai entrar no álbum que Roberta irá gravar só com músicas de Gil. O amigo de longa data João Donato em Uma Coisa Bonitinha e Tartaruguê e o violonista Yamandu Costa na composição que o homenageia, Yamandu.

Outra coisa bacana de OK OK OK é a capa do álbum, uma pintura de Luiz Zerbini que mostra um Gil com um olhar sereno e tranquilo, como se encarasse com equilíbrio o tempo, sua passagem e suas marcas. Uma obra de arte que envolve mais esse rebento sonoro de Gilberto Gil.

Para finalizar o álbum Gil solta Pela Internet 2, versão atualizada da faixa lançada em 1996 e que aqui, traz a produção de Liminha. Desta vez Gilberto acrescenta aos sites novas redes sociais e sua sempre atenta observação sobre a realidade do mundo virtual.

Vale a pena conferir OK OK OK , esse tributo que Gil fez a vida, ao tempo, aos amigos, à família e à música!



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in Linksonoro, 22.10.2018
 
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