Maranhão, Gil e Emílio se impõem no semestre

Mauro Ferreira

Marcado por alto volume de lançamentos no mercado fonográfico brasileiro (entre reedições, gravações ao vivo e CDs de inéditas), o primeiro semestre de 2010 chega ao fim com poucos álbuns realmente relevantes. Contudo, alguns discos já se impuseram na safra nacional do semestre com cacife para figurar na lista de melhores do ano. Rodrigo Maranhão confirmou a fértil inspiração como compositor na obra-prima Passageiro (MP,B / Universal Music), apresentando irretocável repertório inédito, embalado com elegância e minimalismo pelo produtor Zé Nogueira. Com igual maestria na arte da composição, Gilberto Gil retomou o fôlego autoral dos tempos áureos em Fé na Festa (Geléia Geral / Universal Music), disco de inéditas em que reciclou o cancioneiro junino no confronto entre o passado e o presente dos arraiais armados Brasil afora. Sem saudosismo, Gil radiografou o São João do século 21 sem deixar de lembrar que aprendeu a fazer a festa com o rei Luiz Gonzaga (1912 - 1989). Já Emílio Santiago deu baile no óbvio ao evocar o som do organista Ed Lincoln em Só Danço Samba, disco que marcou a abertura do selo do cantor, Santiago Music. Merecem também menções honrosas os álbuns de Edu Lobo (Tantas Marés, Biscoito Fino) e Dori Caymmi (Mundo de Dentro, Music Taste), assim como as notáveis intervenções feitas por Ruy Castro e Henrique Cazes em 12 gravações de Carmen Miranda (1909 - 1955), remixadas para o CD Carmen Miranda Hoje (Biscoito Fino). Que venham os discos do segundo semestre!



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in Blog Notas Musicais, 01.07.2010
 
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