Gilberto Gil reverencia os seus em "OK OK OK"

A turnê do álbum, feito em 2018, chega ao Teatro Guararapes neste sábado (8), para única apresentação às 21h

Gilberto Gil é exemplo do ditado que versa sobre o dia ensolarado pós-tempestade. Hoje, aos quase 77, que ele completa no dia 26 de junho, está não só mais maduro, mas mais doce e ponderado. O baiano ressignifica o seu papel na música com um banho de vitalidade e o impulso que lhe cabe em "OK OK OK", show que será apresentado pela primeira vez em Pernambuco, no Teatro Guararapes, neste sábado (8), às 21h.

O processo intenso de criação marca este disco mais recente. "O repertório surgiu de um impulso muito raro na minha vida. Uma volúpia de manifestação existencial muito forte", revelou o músico, em conversa ao telefone com esta jornalista. Os problemas de saúde que tanto lhe marcaram terminaram por propor uma relação ainda mais estreita com família e amigos e uma fome de música: as 17 faixas do álbum foram compostas em um mês. "Teve ocasião em que compus quatro em três dias", lembra.

Gil explora a realidade com versos delicados. E usa as palavras com carinho, como quem tem mesmo o peito cheio de amor pela vida, pela família, que se renova em felicidade com os que chegam. O baiano faz uma ode às relações humanas e aos fatos cotidianos, típico de quem enfrentou as adversidades e as superou. Também como quem olha para o passado sem arrependimentos. "As negligências foram didáticas, pedagógicas", sentencia.

A família Gil completa, a responsável pela inspiração para o álbum - Crédito: Reprodução Instagram

Intergeracional

É indiscutível o fato de que a geração de 1970 circula bem entre os jovens de hoje. Com Gil não é diferente. O músico é inspiração para uma geração, o que só é possível, segundo ele, porque "Os pais desses jovens apresentaram a nossa música a eles. Ensinaram, induziram". Ao passo que enxerga e absorve esta admiração, também lida bem com a discordância. "Nós temos hoje no Brasil uma manifestação de jovens que não se integram a esse conjunto de ideias", comenta, referindo-se ao que diz respeito ao apreço pelo social, pregado por ele e seus contemporâneos.

Ao passo que é admirado, também aprende com os novos. Seja com os de fora ou com aqueles da família, uma vez que a família Gil é mesmo muito musical, o que Gilberto identifica como normal. "Minha família -filhos, netos- cresceu rodeada de música, com Gal, Caetano, Bethânia, Milton Nascimento", reflete, pondo a culpa do talento nas inspirações.

Não é dos mais afincos quando se fala na descoberta de novas vozes, mas admite a importância da reciclagem. Na conversa, ressaltou as mulheres do sertanejo e os tantos e as tantas artistas com quem divide os bastidores em festivais no Brasil e no mundo.

Recife querido

Gil não poupa elogios à Capital pernambucana. "Recife é uma das cidades que eu mais aprecio no Brasil. Cortada por rios. Recife apresenta uma convergência muito grande entre artes, literatura, artes plásticas. É uma cidade muito culta", comenta. E lembra de quando voltou do exílio: "Fiz questão de fazer o meu primeiro show no Recife".

Polarização

Sobre a situação do Brasil, Gil prefere ponderar. "Esse momento pode ter um sabor amargo de anacronismos, mas também pode ser um presente. Precisamos estabelecer o que é tolerável e absorvível. Temos que desprezar de um lado, e prezar por outro", revela, admitindo e respeitando a complexidade deste momento.

Serviço

Show de Gilberto Gil, "OK OK OK"

Quando: sábado (8), às 21h

Onde: Teatro Guararapes (av. Prof. Andrade Bezerra, S/N - Salgadinho, Olinda)

Ingressos: de R$60 a R$180, à venda na bilheteria do teatro e online através do site Bilheteria Virtual.



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in Folha de Pernanbuco, 07.06.2019
 
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