Documentário relembra a época dos grandes festivais de MPB

Houve um tempo em que Caetano Veloso, Gilberto Gil , Roberto Carlos e Chico Buarque - hoje ícones da MPB - eram jovens artistas populares conhecidos do grande público, ainda não contaminado pelo axé, pagode, sertanejo e afins de letras rasas e baixa qualidade musical. Todos eles disputavam os grandes festivais televisivos e dividiam um público formado por todas as faixas etárias, que vaiavam ou aclamavam com entusiamo seus preferidos.

É um pouco desse período que não volta mais que os diretores Renato Terra e Ricardo Calil recontam no documentário "Uma Noite em 67", que estreia nesta sexta-feira (30) nos cinemas. Como diz o título, o longa se foca especificamente na noite de 21 de outubro de 1967, quando a TV Record realizava a final do III Festival de Música Popular Brasileira, no Teatro Paramount, no centro de São Paulo.

Entre os 12 finalistas, figuravam algumas canções que se tornariam clássicos da MPB, como "Roda Viva", por Chico Buarque e MPB 4; "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso; "Domingo no Parque", com Gilberto Gil e Os Mutantes; e "Ponteio", de Edu Lobo. Roberto Carlos, maior representante da Jovem Guarda, cantava o samba "Maria, Carnaval e Cinzas".





Em meio a uma plateia sedenta por boa música enquanto o país vivia numa didatura militar, os músicos se enfrentavam diante de um júri. Mas a voz do povo era o que realmente importava. Nesse contexto, nascia o Tropicalismo e a música brasileira começava a se modernizar, acrescentando elementos como a guitarra elétrica.

No documentário, Renato Terra e Ricardo Calil utilizam imagens da época para dar uma dimensão da importância daquela noite para a história da MPB. Em uma das cenas mais emblemáticas, digna de um show de rock da atualidade, o cantor Sérgio Ricardo quebra seu vilão no palco ao ser fortemente vaiado pela plateia enquanto tenta interpretar a canção "Beto Bom de Bola".

Mas são as imagens dos bastidores e as declarações das personalidades que participaram do evento que trazem o melhor do longa. É impagável assistir a um jovem Chico Buarque, de smoking e fumando, sendo entrevistado pelos jornalistas Randal Juliano e Cidinha Campos. Ou Roberto Carlos fazendo uma piadinha infâme sobre o incidente com Sérgio Ricardo. Entre as entrevistas atuais, Gilberto Gil relata, quatro décadas depois, sobre o pânico que sentia ao subir ao palco e cantar diante de uma plateia ensandecida.

Para quem gosta de MPB, vale a pena assistir a este relato de uma época que não se consegue mais recriar no Brasil, por mais que as emissoras tentem resgatá-la com novas versões ou realities shows trazidos de fora. Os ídolos saídos daqueles festivais faziam suas próprias canções e decorriam sobre temas como política ou as mazelas nacionais. Assim, garantiram seus lugares na história da música nacional.



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in Yahoo Brasil, 29.07.2010
 
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