78 dias de Brasil em Londres

Eduardo Fradkin

As primeiras imagens que o Google apresenta a quem fizer uma busca com as palavras “Festival Brazil” são de pessoas vestidas de índio, mulheres seminuas e desfiles de escolas de samba. Não foi ali, certamente, que a inglesa Jude Kelly buscou inspiração para organizar o Festival Brazil, que ocupará o complexo cultural Southbank Centre, em Londres, de hoje até o dia 5 de setembro.
Como diretora artística daquele complexo e do evento, Jude convidou Gilberto Gil , Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Mart’nália, o artista plástico Ernesto Neto e escritores como Milton Hatoum, Patrícia Melo e João Paulo Cuenca, entre outros, para mostrar aos ingleses o que vem sendo produzido na arte brasileira.

— O festival foi inspirado, antes de tudo, pela seriedade do Brasil e pela disposição dos brasileiros de usar os meios culturais não só para expressar alegria, mas para abordar questões sociais e políticas. Por isso, Gilberto Gil e Maria Bethânia foram convidados. São artistas que misturam cultura com questões da identidade brasileira. Arnaldo Antunes é outro nome de grande importância, pois é um grande experimentalista, tanto na música quanto na literatura. Também é interessante que artistas mais jovens mostrem seu trabalho, daí a presença de Mart’nália — explica Jude, por telefone.
Desde que assumiu o complexo — que inclui duas salas de música, a galeria Hayward e a Biblioteca da Poesia —, Jude, que não possui ligação específica com o Brasil, tem promovido eventos artísticos multidisciplinares ali. No Festival Brazil, além dos shows, de uma exposição de Ernesto Neto (com inauguração hoje), de encontros de escritores e da peça “Um porto para Elizabeth Bishop”, haverá debates sobre violência urbana e ações sociais (AfroReggae e Projeto Morrinho).
Segundo Ernesto Neto, essa exposição é uma das mais complexas que ele já fez: — Ela envolve vários materiais em situações diferentes.
O espaço é interessante. São dois ambientes ligados por um corredor e três varandas.
Numa das varandas, ele colocou uma escultura em forma de piscina com dois vestiários próximos feitos de crochê. O corredor foi ocupado com a escultura “Horizonte de eventos”, que é uma paisagem flutuante de tecidos. Ela se estende às duas salas adjacentes, que também ganharam instalações.



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in O Globo, 21.06.2010
 
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