Nos Açores, Gil diz que locais remotos também terão espaço

Ponta Delgada, 05 Ago (Lusa) - O ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou que o arquipélago português dos Açores pode "despertar curiosidade nos meios urbanos" noticia neste domingo o jornal Açoriano Oriental.

O mais antigo jornal português afirma que o artista, que se reuniu com cerca de 30 agentes culturais da ilha de São Miguel antes de subir ao palco para uma apresentação, entende que "locais remotos também terão espaço no mundo globalizado".

"Complexidade da noção de cultura"
Durante duas horas, neste sábado, o brasileiro respondeu a várias perguntas dos agentes culturais açorianos e afirmou que no Brasil as diferenças culturais explicam-se pelas diferenças sociais e econômicas, dado que vivem no país quase 200 milhões de pessoas.

Para o artista brasileiro, com cerca de 50 discos lançados, a cultura se assenta em três eixos fundamentais: a expressão simbólica, o valor cívico (elemento de cidadania e coesão social) e a atividade econômica (valor de troca).

"Quando entrei para o ministério, insisti junto da sociedade e governo para compreenderem a amplitude e complexidade da noção de cultura no Brasil", salientou Gilberto Gil, alegando que todos os gêneros de cultura existentes no país são importantes.

Sistema de cotas
Perguntado especificamente sobre a força que a música brasileira tem dentro e fora do país, o cantor disse que essa realidade tem mais a ver com o fato dos sons brasileiros terem se diversificado a partir da década de 1960 e não tanto com a regulamentação diversificado a partir da década de 1960 e não tanto com a regulamentação e imposição de cotas pelos governos.

"Creio que foi a própria música brasileira que se expandiu para além do samba e bolero, conquistando espaço", afirmou Gilberto Gil, que considerou que a imposição de uma cota para passar música portuguesa nas rádios de Portugal "poderia acabar por ser prejudicial e determinar o seu isolamento mundial".

No atual contexto globalizado, Gil defendeu que há formas para conseguir vingar, apontando o exemplo daquilo que Mariza tem feito com o fado em Portugal, através da introdução de novos arranjos musicais que buscam influências no jazz, bossa nova, entre outros.



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in UOL, 05.08.2007
 
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