Meio-de-campo
Gilberto Gil
Prezado amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando um tempo, dando um jeito
Desprezando a perfeição
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou Pelé nem nada
Se muito for, eu sou um Tostão
Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão
68529157
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
acordeom – Dominguinhos
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
percussão – Chiquinho Azevedo
Outras gravações:
“Trançado”, Almir Cortez Trio e Harvey Wainapel, Tratore Distribuição De CD’S 2016
“Show de bola”, Elis Regina, Dubas Music 2007
“Elis Regina revisitada”, Elis Regina, Dubas Music 2004
“Brasil revisitado 1”, Elis Regina, Dubas Music 2005
“Elis Regina programa ensaio”, Trama Music 2006
“MPB especial – 1973”, Elis Regina, Trama Music 2006
“Ensaio”, Gilberto Gil, Trama Music 2004
“Samba,jazz & bossa – CD 1”, Elis Regina, Universal Music 2006
“Reader ‘s digest – sambas e outras bossas”, Elis Regina, Universal Music 2000
“Elis anos 70 – caixa 2”, Elis Regina, Universal Music 2012
“Sound + vision / phono 73”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Historia da MPB”, Gilberto Gil, Abril Cultural 1982
“Personalidade – vol. 2”, Gilberto Gil, Novodisc Mídia Digital Da Amazônia 2013
“O rancho do novo dia”, Gilberto Gil, Philis Music 1981
“Cidade do Salvador-disco 1”, Gilberto Gil, Polygram Music 1998
“Gilberto Gil ao vivo – USP (1973)”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Gilbertos samba ao vivo”, Gilberto Gil, Sony Music 2014
“A arte de Gilberto Gil”, Gilberto Gil, Universal Music 2005
“Lugar comum”, Gilberto Gil, Universal Music 2008
“Chill Brazil copa”, Gilberto Gil, Warner Music 2010
“Futebol musical brasileiro social clube”, Pedro Lima, Sala Do Som 2006
“Cores vivas”, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, Tratore distribuição de CD’S 2015
Eu Só Quero um Xodó
Dominguinhos
Anastácia
Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
60433183
© Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
percussão – Dominguinhos
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
percussão – Chiquinho Azevedo
Edyth Cooper
Gilberto Gil
Asinhas de anjo barroco
Bochechas de anjo barroco
Nádegas de anjo barroco
Bugigangas, velhos pincéis
Cem mil réis de carne com osso
Cem mil réis de queijo de prato
Cem mil réis de filó barato
Gesso, cola, tintas, telões
Abstrações, visões coloridas
Cena do balé dos anões
No ateliê da louca varrida
Dando, rindo, lendo Camões
Representações de cenas proibidas
Obcenas obsessões
No ateliê da louca varrida
Vivendo, varrendo os salões
Edyth Cooper, Edyth Cooper
Edyth Cooper, vem me consolar
Edyth Cooper, Edyth Cooper
Faz minha vassoura voar
Edyth Cooper, Edyth Cooper
Os morcegos vão me chupar – será?
Edyth Cooper, Edyth Cooper
Sem você eu vou me borrar de tinta
Eu vou me pintar de gesso
Eu vou me engessar de cola
Eu vou descolar de medo
68529169
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
Outras gravações:
“Edy Ster”, Edy Ster, SIGLA
“Sweet edy…”, Edy Ster, Tratore Distribuição 2011
“Cidade do Salvador – cd 1”, Gilberto Gil, Polygram 1998
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“GIlberto Gil ao vivo – USP (1973)”, Gilberto Gil 2017
Umeboshi
Gilberto Gil
Umeboshi é fruto da flor
Como a flor de lótus é
Uma bomba poderosa
Como a pomba-gira é
Estimulante do apetite
Elixir contra a bronquite
Regulador da mulher
Base da saúde púbica
Saúde dois mil e única
Saída contra a maré
Umeboshi cura qualquer saúde
Umeboshi cura qualquer doença
Umeboshi cura tudo porque veio do Japão
Foi cultivada na terra
Onde teve uma explosão
“Eu quero paz e arroz
Amor é bom e vem depois”
Como disse o meu amigo Jorge muito Ben
No mais é Deus no céu da boca e nada mais
(Conheci meu amigo na beira do cais
Perguntei se ele iria
Ele disse: “O Senhor vai
Descer do céu na terra uma vez mais”
Eu pensei: “Quem diria”
Ele disse: “O Senhor vai”
Eu falei qualquer coisa
Ele sumiu do cais
Partiu dali para sempre
Para nunca mais
E quando eu chego em casa
Dá, pai
Dá, mãe
Dá cá
Dá cá
Dá cacun dá, dá, dá
Dá cacunda, dá, dá
Dá cacunda pro menino
Pro menino não chorar
Faz a cama da menina
Que a menina quer deitar
Dá cacunda, dá, pai
Dá cacunda, dá, mãe
Dá cacunda pro menino
Pro menino não chorar
Faz a cama da menina
Que a menina quer deitar)
Umeboshi
Ameixinha salgada
Três anos curtida
Três anos curada
No sal
De curtida
De curada
Cura
Cura qualquer doença
Cura qualquer saúde
Umeboshi
Ameixinha salgada
(Salgada paca)
Umeboshi é fruto da flor
Como a flor de lótus é
Uma bomba poderosa
Como a pomba-gira é
68529170
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
percussão – Chico Azevedo
teclado – Aloisio Milanez
[ inédita ]
Essa É Pra Tocar no Radio
Gilberto Gil
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra vencer o tédio
Quando pintar
Essa é um santo remédio
Pro mau humor
Essa é pro chofer de táxi
Não cochilar
Essa é pro querido ouvinte
Do interior
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra sair de casa
Pra trabalhar
Essa é pro rapaz da loja
Transar melhor
Essa é pra depois do almoço
Moço do bar
Essa é pra moça dengosa
Fazer amor
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra tocar no rádio
68529182
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
Outras gravações:
“Máquina de escrever música”, Moreno + 2, RockIT
“Vange Milliet”, Vange Milliet, Dabliu
“Cada tempo em seu lugar”, Cacala Carvalho e João Braga, Lugar Mills Records 2012
“Serie colecionador”, Gil e jorge, Universal Music 1998
“Gil + 10”, Gilberto Gil, Som Livre 2011
“O bloco da mocidade”, Gilberto Gil, Philips 1981
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Refazenda”, Gilberto Gil, Warner Music 1994
“Gilberto Gil – original album series (cd 3)”, Gilberto Gil, Warner Music 2012
“Gil + 10”, Gilberto Gil & Lenine, Som Livre 2011
“Box salve jorge”, Gilberto Gil e Jorge Ben, Universal Music 2009
Vange Milliet, Dabliu/Eldorado 1998
Tradição
Gilberto Gil
Conheci uma garota que era do Barbalho
Uma garota do barulho
Namorava um rapaz que era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre
Sempre rindo e sempre cantando
Conheci essa garota que era do Barbalho
Essa garota do barulho
No tempo que Lessa era goleiro do Bahia
Um goleiro, uma garantia
No tempo que a turma ia procurar porrada
Na base da vã valentia
No tempo que preto não entrava no Bahiano
Nem pela porta da cozinha
Conheci essa garota que era do Barbalho
No lotação de Liberdade
Que passava pelo ponto dos Quinze Mistérios
Indo do bairro pra cidade
Pra cidade, quer dizer, pro Largo do Terreiro
Pra onde todo mundo ia
Todo dia, todo dia, todo santo dia
Eu, minha irmã e minha tia
No tempo quem governava era Antonio Balbino
No tempo que eu era menino
Menino que eu era e veja que eu já reparava
Numa garota do Barbalho
Reparava tanto que acabei já reparando
No rapaz que ela namorava
Reparei que o rapaz era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre
Sempre rindo e sempre cantando
68529194
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
bateria – Tutty Moreno
Por que o título: justificativas – “Para dar um sentido aristocratizante a um tempo e espaço (Bahia, anos 50) da minha história social; uma qualificação nobilizadora a uma realidade, somente possível a posteriori, a partir de um olhar que se deslocou para um plano superior – ‘Tradição’ é um título afastado, um sobrevôo -, elevando com ele o conceito do cotidiano relatado. (É como Caetano falando de Santo Amaro da Purificação em Trilhos Urbanos; a ambição aristócratica é a mesma. Em Tradição, Lessa, o goleiro do Bahia, é um nobre.).
” ‘Tradição’, também, para dar a idéia de uma mentalidade de época; de um modo tradicional de um agrupamento social da cidade de Salvador que se pereniza ou que se transforma; para sugerir como uma célula cultural se reproduz num macro-organismo social; e ‘tradição’, ainda, no sentido da importância, na minha formação, de tudo o que a letra retrata – no sentido, portanto, do meu compromisso afetivo com aquilo.
“Tradição poderia ter se chamado Garota do Barbalho, ‘tranquilamente’. A definição do título só veio mais tarde, após essa elaboração aqui descrita.”
Tradição e transformação – “No conjunto da obra do Caymmi, encontram-se relatos de uma outra tradição da Bahia, anterior à chegada do petróleo e ainda com o saveiro, as praias, as baianas, o acarajé. Minha música já faz a indicação de várias mudanças de tradição: a transformação do transporte urbano (os ônibus começando a circular), os navios, o contrabando, a cultura americana chegando…”
Personagens reais – “O bairro do Barbalho ficava ao lado do meu, Santo Antonio. Eu e minha irmã éramos levados ao colégio pela minha tia. Todos os sábados, domingos e quartas-feiras eu ia assistir aos jogos de futebol. O rapaz era um playboy, um bon vivant; andava de lambreta, fumava maconha. A garota era do Barbalho, quer dizer, do caralho! (Dois coelhos numa só…). Eu tinha doze, treze anos; ela, uns dezoito – um amor impossivel. Meu objeto do desejo sexual. E ele, meu objeto do desejo cultural.”
Palavras censuradas – A primeira vez em que Tradição foi registrada em disco (por Gil, em Realce, em 1979, cinco anos depois de ter sido composta), onde se ouve hoje (e desde a sua gravação com Caetano, em Tropicália 2, em 1993) “procurar porrada” ouvia-se “só jogar pernada”. A atualização constituiu-se, na verdade, na retomada de uma expressão contida na elaboração original da letra e proibida pela censura na época.
Minha Nega na Janela
Germano Mathias
Doca
Não sou de briga
Mas estou com a razão
Ainda ontem bateram na janela
Do meu barracão
Saltei de banda
Peguei da navalha e disse
Pula moleque abusado
Deixa de alegria pro meu lado
Minha nega na janela
Diz que está tirando linha
Êta nega tu é feia
Que parece macaquinha
Olhei pra ela e disse
Vai já pra cozinha
Dei um murro nela
E joguei ela dentro da pia
Quem foi que disse
Que essa nega não cabia?
68529205
© Addaf
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Ó, Maria
Gilberto Gil
Ó, Maria
Faz tempo que você sabe
Que eu também sou da Bahia
Ó, Maria
Quantos anos você tinha
Quando o mato era fechado
Lá na estrada da Rainha
Quando era a céu aberto
Que o batuque se batia?
Ó, Maria
Faz tempo que você sabe
Que eu também sou da Bahia
Ó, Maria
Vê se você me adivinha
Das sete qual é a porta
Pro corredor da Lapinha
De união qual é o traço
Barra-Barris-Barroquinha
Ó, Maria
Faz tempo que você sabe
Que eu também sou da Bahia
68529217
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
[ inédita ]
A Última Valsa
Gilberto Gil
Rogério Duarte
A última valsa
Me alça
No astral
A espiral é de fumaça
E o pensamento é de cristal
68529229
© Gege Edições Musicais / © Guilherme Araújo Produções Artísticas LTDA. (adm. por Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.)
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Cidade do salvador”, Gilberto Gil, Universal Music 1973
Ladeira da Preguiça
Gilberto Gil
Essa ladeira
Que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Preguiça que eu tive sempre
De escrever para a família
E de mandar contar pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina já conta as estrelas
E sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino já canta cantigas
E já não bota mais a mão na barguilha
E pra falar do mundo, falar uma besteira
Formenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe
Que nem lá
Na Ilha do Medo
Que nem lá
Na Ilha do Frade
Que nem lá
Na Ilha de Maré
Que nem lá
Salina das Margaridas
Essa ladeira
Que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Ela não é de hoje
Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça
68529145
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
percussão – Chiquinho Azevedo
Outras gravações:
“Pimenta”, Carlos Malta, Delira Música
“Sabiá”, Chie, Lepollen
“Acústico”, Daniela Mercury, BMG
“Elis Regina”, Elis Regina, Polygram Music
“Speed samba jazz”, Hamleto Stamato Trio, Delira Música
“Milton Banana”, Milton Banana, EMI
“Pedro Camargo Mariano”, Pedro Camargo Mariano, Universal Music
“Azul”, Rosas Passos, Veleiro
“Nada será como antes”, Shirle de Moraes, BMG
Rainha do Mar
Dorival Caymmi
Minha sereia é rainha do mar
Minha sereia é rainha do mar
O canto dela faz admirar
O canto dela faz admirar
Minha sereia é a moça bonita
Minha sereia é a moça bonita
Nas ondas do mar aonde ela habita
Nas ondas do mar aonde ela habita
Ai, tem dó de ver o meu penar
Ai, tem dó de ver o meu penar
68526230
© Maracangalha
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
percussão – Tutty Moreno
percussão – Chiquinho Azevedo
Iansã
Gilberto Gil
Caetano Veloso
Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim
Eu sou um céu
Para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu
Para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim
68529242
© Gege Edições Musicais / © Guilherme Araújo Produções Artísticas LTDA. (adm. por Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.)
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
bateria – Tutty Moreno
percussão – Tutty Moreno
Outras gravações:
“Juju Gomes”, Juju Gomes
“Rainha dos raios”, Alice Caymmi, Alice Malaguti Caymmi 2015
“Cidade do Salvador – CD 1”, Gilberto Gil, Polygram Music 1998
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Gilberto Gil ao vivo – USP (1973)”, Discobertas, Gilberto Gil 2017
“Juliana de Oliveira Gomes”, Juju Gomes 2008
“Diamante verdadeiro”, Maria Bethania, BMG 1999
“Drama- luz da noite”, Maria Bethania, Polygram Music 1973
“Canções divinas-divinas canções”, Maria Bethania, BMG 2004
“Brasil revisitado 1”, Maria Bethania, Dubas 2005
“Maria Bethânia revisitada”, Maria Bethania, Dubas Music 2005
“A música de Gilberto Gil”, Maria Bethânia, Universal Music 2003
“Salve as folhas”, Maria Bethânia, Universal Music 2008
“Dance of the orixás – pure Brazil II”, Maria Bethânia, Universal Music 2005
“26 prêmio da música brasileira”, Mariene De Castro, Biscoito Fino 2015
“Tecnomacumba”, Rita Ribeiro, Biscoito Fino 2006
“Toques de umbanda”, Ze Mauricio ,Dubas Music 1999
“Gilberto Gil – 2 lados”, Zizi Possi, Universal Music 2010
Doente, morena
Gilberto Gil
Duda Machado
De manhã cedo ela sai
Leva a chave
Me deixa trancado
O dia inteiro
Não ligo
Deito sobre os trilhos
E vejo o trem passar
Entre brinquedos, cigarros
O Tesouro da Juventude
Em não sei quantos volumes
E quando canto
Deixo a imaginação voar
Mas ontem à noite
A mão sobre meus cabelos
Ela me disse:
“Meu bem, não tenha medo
No verão que vem
Nós vamos à praia”
68529254
© Gege Edições Musicais / © Guilherme Araújo Produções Artísticas LTDA. (adm. por Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.)
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
Outras gravações:
“Elis Regina”, Elis Regina, Polygram
“Ensaio”, Elis Regina, Trama 2004
“MPB especial – 1973”, Elis Regina, Trama 2006
“Elis Regina – programa ensaio”, Elis Regina, Trama 2006
“Elis anos 70 – caixa 2”, Elis Regina, Universal Music 2012
Cidade do Salvador
Gilberto Gil
Dor e dor e dor
Tanta dor
A cruz
A dor
A dor
Adormeço
A dor mereço
Agora
A dor
A dor
A dormência
Do sono lunar
Sonho
Sonho
A terra
No sonho
A terra inteira
No sonho
Aterrador
Mar
O mar
O mar
O maremoto
remoto
remoto
motivo
Teria Deus
Pra nos salvar
Fé
A fé
A fé
Só a fé
A fé
A felicidade
Cidade do Salvador
dor
dor
68529326
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Cidade do Salvador – cd 2”, Gilberto Gil, Polygram Comércio 1998
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Gilberto Gil ao vivo – USP (1973)”, Gilberto Gil, Discobertas) 2017
Imbalança
Luiz Gonzaga
Zé Dantas
Óia a paia do coqueiro
Quando o vento dá
Óia o tombo da jangada
Nas ondas do mar,
Óia o tombo da jangada
Nas ondas do mar
Óia a paia do coqueiro
Quando o vento dá
Imbalança, imbalança, imbalançá
Imbalança, imbalança, imbalançá
Imbalança, imbalança, imbalançá
Imbalança, imbalança, imbalançá
Pra você agüentar meu rojão
É preciso saber requebrar
Ter molejo nos pés e nas mãos
Ter no corpo o balanço do mar
Ser que nem carrapeta no chão
E virar foia seca no ar
Para quando escutar meu baião
Imbalança, imbalança, imbalançá
Você tem que viver no sertão
Pra na rede aprender a embalar
Aprender a bater no pilão
Na peneira aprender peneirar
Ver relampo no mei’ dos trovão
Fazer cobra de fogo no ar
Para quando escutar meu baião
Imbalança, imbalança, imbalançá
68529338
© Editora Irmãos Vitale
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
percussão – Chiquinho Azevedo
Duplo Sentido
Gilberto Gil
Dessa esquina pelo menos posso ver o movimento dos carros
Vim de casa porque estava insuportável pensar
Dessa esquina pelo menos posso perceber o duplo sentido
O duplo sentido do tráfego e não me incomodar
Dessa esquina pelo menos posso ver o movimento dos carros
Vim de casa porque estava insuportável falar
Por telefone (tão distante) com pessoas que eu não posso ver
Por telefone com pessoas que eu não posso pegar
Dessa esquina pelo menos posso perceber
O duplo sentido de tudo
Em todos que vão a diversos lugares
Primeiros, terceiros, oitavos andares
Vigésimos modos de andar
Dessa esquina pelo menos posso perceber
O duplo sentido de tudo
Na falta de unanimidade
Uns vêm pra cidade como eu
Outros voltam correndo pro lar
Vim de casa porque estava insuportável pensar
Na saudade, na saúde, na fé
Dessa esquina pelo menos posso ver como é
E não me incomodar
O duplo sentido na rua é tão claro
Não há que duvidar
O duplo sentido na rua é tão claro
O apito do guarda é que dá
68529340
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
percussão – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
Outras gravações:
“Tete da Bahia”, Tete da Bahia, Continental
“Cidade do salvador – cd 2”, Gilberto Gil, Polygram 1998
“Umeboshi – ao vivo, 1973”, Gilberto Gil, Discobertas 2017
“Continental”, Tete da Bahia
“Dois gênios – Caetano Veloso e Gilberto Gil”, Tete da Bahia, Warner Music 2009
Preciso Aprender a Só Ser
Gilberto Gil
Sabe, gente
É tanta coisa pra gente saber
O que cantar, como andar, onde ir
O que dizer, o que calar, a quem querer
Sabe, gente
É tanta coisa que eu fico sem jeito
Sou eu sozinho e esse nó no peito
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder
Sabe, gente
Eu sei que no fundo o problema é só da gente
É só do coração dizer não quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer
E quando escutar um samba-canção
Assim como
Eu Preciso Aprender a Ser Só
Reagir
E ouvir
O coração responder:
“Eu preciso aprender a só ser”
68529351
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
percussão – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
percussão – Chiquinho Azevedo
Todo Dia É Dia D
Torquato Neto
Carlos Pinto
68529387
© Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Esses Moços (Pobres Moços)
Lupicinio Rodrigues
Esses moços, pobres moços
Ah, se soubessem o que sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que eu já passei
Por meu olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço
A esses moços
Que acreditem em mim
Se eles julgam que há um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania e muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago no peito
E estas rugas que o amor me deixou
Esses moços, pobres moços
Ah, se soubessem o que sei
68529375
© Editora Irmãos Vitale
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Meditação
Gilberto Gil
Dentro de si mesmo
Mesmo que lá fora
Fora de si mesmo
Mesmo que distante
E assim por diante
De si mesmo, ad infinitum
Tudo de si mesmo
Mesmo que pra nada
Nada pra si mesmo
Mesmo porque tudo
Sempre acaba sendo
O que era de se esperar
68529399
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
percussão – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez
Outras gravações:
“Refazenda”, Gilberto Gil, Philips Music 1975
“Giluminoso”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2006
“Gilberto Gil – original album series (cd 3)”, Warner Music 2012
“Topaz audio studio”, Lica 1996
“Roberto Menescal e Wanda Sá – ensaio”, Warner Music 2002
“Este e o Gil que eu gosto”, Zizi Possi, Warner Music 1995
Uma canção sobre meditação que é uma canção que é uma meditação (uma canção-meditação), fruto de um processo de meditação e realizada em estado de meditação.
“Dentro de mim mesmo” – “Meditação é uma busca dos extratos rarefeitos do pensar e do sentir, do olhar sobre o sujeito e o objeto, sobre o si e o em si, e sobre o ser. A letra resultou de horas e horas de dias e dias de meditação sobre a música.
“Eu estava terminando o repertório de Refazenda e queria usá-la como um fecho minimal que emblematizasse a idéia reflexiva, introspectiva, do disco. Havia um compromisso com os espaços das frases sonoras: eu não podia escrever o que quisesse (para construir a letra de uma música que já está feita, a gente já parte com esse dado limitador – não no sentido qualitativo, de expressão, mas no quantitativo). Por isso eu precisava de instrumentos muito precisos que me levassem aos lugares onde as palavras estivessem; de anzóis muitos afiados e linhas de comprimento muito bem medido para poder fazer a pescaria das palavras que expressariam numa suma o que eu sentia. E precisava da confirmação temporal do significado da meditação – de que ela trouxesse para o sujeito, que era eu, a sensação que a palavra meditação traz, de escorrer no tempo…
“Em momentos bem prosaicos, de manhã, de tarde, de noite, eu andava pela casa pensando naquela melodia – com ela dentro de mim mesmo -, mas sem escrever nada, nem tentar, apenas me deixando tomar pelo sentimento oceânico da evolvência. Numa madrugada eu me recolhi, tomei um chá, sentei na posição de lotus, e saiu! – uma parte inteira. Dormi aquele sono pleno, apaziaguado, e no dia seguinte fui tocá-la no violão. Frustração absoluta: me deparei com uma segunda parte que, embora, do ponto de vista métrico, seja basicamente a mesma coisa, tem um finalzinho que é um apêndice (a última frase melódica). ‘Meu Deus do céu! Pensei que estivesse pronta’, eu disse. ‘Quantos dias mais vou ter eu que ficar rodando pela casa para fazer esse resto de música?’ Mas não é que, já estimulado pelas idéias da primeira estrofe, na noite seguinte fui para a mesma situação, me recolhi etc., e veio a segunda?!”
Do início… – “Durante aqueles dias de viagens medidativas (acompanhadas de muita maconha, evidentemente; na época eu fumava bastante e fazia mergulhos abissais…), eu havia regado tanto a planta auto-referencial que, quando me ocorreu algo, me ocorreu o óbvio: ‘Dentro de si mesmo’ – como se para reiterar o silêncio, ou seja, para dizer: ‘Disso não se diz nada, porque isso é indizível; não adianta, você vai ficar dias e dias aí e não vai dizer nada!’ E em seguida, num movimento da interioridade para a exterioridade, veio: ‘Mesmo que lá fora’ – os dois versos em mútuo espelhamento projetando suas imagens significantes para adiante, nos versos subsequentes. A letra é muito visual mesmo, hologrâmica: um fracionamento lisérgico da imagem oculta, com partes essenciais ao todo e com o todo presente nas partes.”
…ao fim… – “O futuro como desdobramento de uma perspectiva colocada por um ser no presente (projeção); como o que era de se esperar: não só no sentido de vir a corresponder a uma expectativa ou a realizar um desejo que se tenha em relação a ele; mas também no sentido de que deve haver uma espera, uma passividade, uma ação da não-ação em relação ao que se espera dele; uma desarticulação do desejo, o não-desejo; o princípio da incerteza, em termos de que, mesmo que seja o inesperado, é na espera disso que o futuro ocorre – e aí, a inclusão da perspectiva do abismo, da tempestade, do desconhecido, da morte.”
…um parto – “Meditação levou uns dez dias em estado de gestação. Muitas outras canções minhas tiveram processos parcialmente similares, mas é dessa que eu tenho a sensação mais nítida de uma fecundação por um corpúsculo invisível que, apesar disso, você sabe que está ali e que um dia nasce. A canção parece ter sido projetada para ter uma gravidez, um crescimento de embrião e seu momento de nascimento. E eu me lembro da comoção profunda que eu tive quando a terminei – no exato momento em que senti o casamento do verso ‘o que era de se esperar’ com a frase musical correspondente.”
Maracatu Atômico
Jorge Mautner
Nelson Jacobina
68535653
© Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Tutty Moreno
teclado – Aloisio Milanez