Sebastian
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Sebastian, Sebastião
Diante de tua imagem
Tão castigada e tão bela
penso na tua cidade
Peço que olhes por ela
Cada parte do teu corpo
Cada flecha envenenada
Flechada por pura inveja
é um pedaço de bairro
é uma praça do Rio
Enchendo de horror quem passa
Oô cidade, oô menino
Que me ardem de paixão
Eu prefiro que essas flechas
Saltem pra minha canção
Livrem de dor meus amados
Que na cidade tranqüila
Sarada cada ferida
Tudo se transforme em vida
Canteiro cheio de flores
pra que só chorem, querido,
Tu e a cidade, de amores
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© Gege Edições Musicais / © Nascimento Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
viola – Wilson Lopes
percussão – Marco Lobo
cavaquinho – Alceu Maia
flauta – Carrasqueiro, Marta Ozzetti
piccolos – Renato Camargo
trombone – Chipoletti, Gianelli
tuba – Marcão
trompete – Chiquinho, Jean-Pierre Ryckebusch
trompa – Mário Rocha, Michel
clarinete baixo – Montanha
sax alto e soprano – Roberto Sion, Teco Cardoso
sax-tenor – Mané Silveira
vibrafone – Carlos Tarcha
bateria – Lincoln Cheib
Duas sanfonas
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Meu destino, meu caminho
É tanta volta que dá
Que sem esforço, nem nada
Vou descobrindo o que há
Velhas notas, canções novas
Vão renascendo meninas,
Vão renascendo meninos
pra garotada cantar
Quebram barreiras de idade
Juntam as vozes do povo
Trazem a felicidade
Haja alegria ou saudade
Dançam bem juntos, sozinhos
Vão espalhando carinho
Os sons são todos tão seus
Como um presente de Deus
Salve o sol dessas sanfonas
Que pra essa vida empurrou
A mim e a meu companheiro
Que o destino juntou
69916713
© Gege Edições Musicais / © Nascimento Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
sanfona – Milton Nascimento
participação especial – Sandy
participação especial – Júnior
baixo – Arthur Maia
viola – Wilson Lopes
flauta – Carrasqueiro, Marta Ozzetti
piccolos – Renato Camargo
clarinete baixo – Montanha
bateria – Lincoln Cheib
trompa – Michel
acordeom – Cicero Assis
Outras gravações:
“Edição especial”, Gil e Milton, Warner Music 2000
“Serie sem limite – cd 2”, Sandy & Junior com Gilberto Gil e Milton Nascimento, Universal Music 2001
Bom dia
Gilberto Gil
Nana Caymmi
Madrugou
Madrugou
A mancha branca do sol
Acordou
O dia
E o dia já levantou
Acorda
Meu amor
A usina já tocou
Acorda
É hora
De trabalhar, meu amor
Acorda
É hora
O dia veio roubar
Teu sono
Cansado
É hora de trabalhar
O dia
Te exige
O suor e o braço
Pra usina
Do dono
Do teu cansaço
Acorda
Meu amor
É hora de trabalhar
O dia
Já raiou
É hora de trabalhar
Madrugou
Madrugou
A mancha branca do sol
Acordou
O dia
E o dia já levantou
Ele sai
Ele vai
A usina já tocou
Bom-dia
Bom-dia
Até logo, meu amor
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© Gege Edições Musicais / © Editora Musical Arlequim LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
bateria – Lincoln Cheib
berimbau e vozes – Naná Vasconcellos
coro – Meninas do colégio São José
Outras gravações:
“Nana Caymmi”, Nana Caymmi, RGE
“Música nossa”, Agostinho Dos Santos, Discobertas 2013
“Soledade”, Cida Moreira, Tratore Distribuição De CD’S 2015
“Cantos de todos os cantos”, Coral TRT15 – Campinas, Instituto jurídico de incentivo ao estudante 2012
“Em tempo de crise nasceu a canção”, Coro Osesp / Naomi Munakata (regente), Biscoito Fino 2009
“Canções do Brasil”, Coro Osesp/Naomi Munakata (regente), Biscoito Fino 2009
“Gal Costa 40 anos”, Gal Costa, Universal Music 2005
“Domingo – jewel case”, Gal Costa Caetano Veloso e Gal Costa, Universal Music 2010
“Edição especial”, Gilberto Gil e Milton Nascimento, Warner Music 2000
“Caipira”, Monica Salmaso, Biscoito Fino 2017
“Nana Caymmi / bônus”, Nana Caymmi, EMI Music Brasil 2010
“Caixa Nana Caymmi (CD eu sei que vou te amar – cd1)”, Nana Caymmi, EMI Music 2011
“Ensaio Nana Caymmi”, Nana Caymmi, Biscoito Fino 2010
“Nana Caymmi – ensaio”, Nana Caymmi, Warner Music 2012
“Vesper na lida”, Vesper, Atracao Fonografica 2011
Trovoada
Gilberto Gil
Milton Nascimento
O ronco da trovoada
Estremece os corações
Nas capitais dos estados
Nos pequenos povoados
Lá pros lados dos sertões
Quando o tempo faz zoada
Na voz grave dos trovões
Eu acho que alguém já disse
Que é como então se abrisse
a jaula para os leões
Estremecem os corações
Acredite se quiser
Que o Cavaleiro das luas e das estrelas
Abriu o céu, desceu e me ofertou
Um livro aberto na página brilhante
Que nesse instante uma poeira iluminada
me assustou
Falava de Andrômeda,
A dona da constelação do Escorpião,
Falou da outra estrela na ponta do Cruzeiro,
Falou das quatro luas
A nova, a que cresce, a cheia e a que diminui
Que a primeira, quando se esconde na escuridão,
é de mentira, pra nos tomar o coração
Me ensinou coisas que vi
E que nem são daqui
E, de repente, acordei com o ronco…
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© Gege Edições Musicais / © Nascimento Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
percussão – Marco Lobo
bateria e tambor mineiro – Lincoln Cheib
Pantone – Ricardo Cheib
Something
George Harrison
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© EMI Music
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
bateria – Jorge Gomes
voz – Milton Nascimento
guitarra – Sérgio Chiavazzoli
baixo – Arthur Maia
teclado – Claudio Andrade
percussão – Marco Lobo, De Dalva
coro – Gilce de Paola, Cidalia Castro, Malu Brasil, Gil M
Lar hospitalar
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Eu que empunho armas feitas de poesia e som
Eu que testemunho dramas da canção fugaz
Eu que experimento o quanto a fantasia é bom
Alimento para a paz
E eu mesmo agora, tenho que lhe ouvir dizer
Aos berros que a vida é pura maldição
Que o mundo é feito só para os eleitos
Que houve sempre fraude na tal da eleição
Portanto, só queimando tudo
Só matando meio mundo
Só pondo a outra metade no poder
Você no comando, sempre vigiando
Pra ninguém se corromper
Finda a banda podre, linda a banda nobre
Sobe a velha rampa e altiva vem reinar
Com imunidades contra o vírus da maldade,
Com certeza, com pureza, com limpeza
Hospitalar, hospitalar, no seu lar hospitalar
Lar, hospitalar
Eu que moro onde o pecado mora ao lado
E me visita sempre no verão
Eu que já fui preso por porte de baseado
É baseado nisso que eu lhe digo não, não, não
Não vou fazer seu coro, seu sermão
A não ser que você possa instalar
O chip da ignorância em minha cuca
A não ser que você consiga me reprogramar
Reprogramar, me reprogramar, reprogramar.
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© Gege Edições Musicais / © Nascimento Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
bateria – Jorge Gomes
voz – Milton Nascimento
teclado – Claudio Andrade
trombone – Serginho Trombone
percussão – Marco Lobo
baixo – Alberto Continentino
sax-tenor – José Carlos
sax-alto – José Canuto
trompete – Jessé, Bidinho
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Fito Paez
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© Addaf
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
percussão – Marco Lobo
flauta – Carrasqueiro, Marta Ozzetti
clarinete baixo – Montanha
bateria – Lincoln Cheib
oboé – Esek Menezes, Giane Martins
corne inglês – Giane Martins
clarinete – Montanha, Sergio Burgani
guitarra – Dudu Caribé
Dora
Dorival Caymmi
69916786
© Editora Mangione & Filhos
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
trompete – Jean Pierre
voz – Milton Nascimento
sanfona – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
flauta – Carrasqueiro, Marta Ozzetti
piccolos – Renato Camargo
trompa – Mário Rocha, Michel
clarinete baixo – Montanha
bateria – Lincoln Cheib
percussão – Marco Lobo, De Dalva
oboé – Esek Menezes, Giane Martins
corne inglês – Giane Martins
clarinete – Montanha, Sergio Burgani
trombone – Chipoletti
trompete – Chiquinho
Canção do sal
Milton Nascimento
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© Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
flauta – Carrasqueiro, Marta Ozzetti
clarinete baixo – Montanha
bateria – Lincoln Cheib
percussão – Marco Lobo, De Dalva
oboé – Esek Menezes, Giane Martins
corne inglês – Giane Martins
clarinete – Montanha, Sergio Burgani
guitarra – Dudu Caribé
baixo – Luis Alves
teclado – Wagner Tiso
Dinamarca
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Capitão do mar
Homem tão do mar
Do mar amar, como a um irmão
Capitão do mar
Homem tão do mar
Lembres que o mar também tem coração
Saudades, sim
O mar tem de ti
O mar triste e só
Depois do dia em que tu partistes, ó
Saudades, sim
o nórdico mar
Mar dinamarquês
Pede que venhas navegá-lo outra vez
Capitão do mar
Terás que voltar
Terás que vir uma vez mais
Nova embarcação,
Nova encarnação,
Nova canção, novo amor, novo cais
O mar e nós
Amigos fiéis
Amigos leais
Aqui a esperar teus novos sinais
O mar e nós
O norte, os confins
A barca, os canais
A Dinamarca e os seus carmins boreais
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© Gege Edições Musicais / © Nascimento Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
piano – Milton Nascimento
Outras gravações:
“Um gosto de sol”, Equale, Albatroz
“RAF”, Gilberto Gil & Milton Nascimento, Eletrônica Digital 2001
“Projeto especial Boticario”, Gilberto Gil & Milton Nascimento, Warner Music 2002
“Trilha sonora da novela Porto Dos Milagres”, Gilberto Gil e Milton Nascimento, Sigla 2001
Palco
Gilberto Gil
Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê
De bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor
Dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos têm na testa
O deus Sol como um sinal
Um sinal
Eu, como devoto
Trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro
Quem manda é a deusa Música
Pedindo pra deixar
Pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cântaro cantar
Lalaiá
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
69916822
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
voz – Milton Nascimento
baixo – Arthur Maia
bateria – Lincoln Cheib
“Eu estava havia três dias pensando em parar de cantar; em deixar a seqüência profissional de discos e shows. Estava prestes a tomar essa decisão – e avisar todo mundo -, mas não por uma razão que tivesse a ver com cantar, que é a coisa que mais me encanta na vida. Minha sensação era de fastio; eu queria era um elemento que me trouxesse um novo ânimo. ‘Se eu vou parar mesmo’, pensei, ‘eu tenho que fazer uma declaração pública, e essa declaração tem de ser musical.’ Aí eu fiz Palco, uma canção que era na verdade pra não deixar dúvida a respeito de tudo o que cantar representa para mim, e a respeito da minha relação com a música – simbolizada de forma completa pelo estar no palco.”
De que fala Palco (“o primeiro afoxé forte”) – “De um espaço semi-sagrado; da sua função exorcizante, catártica, clínica – daí o refrão (na hora em que compus, eu me lembrava muito do pouco que sabia sobre as tragédias gregas, o palco grego, Dionísios).
“De um sacerdócio; da capacidade de administrar um ritual – o da música em funcionamento, cumprindo seus ditames; de como eu me vejo nesse papel, como eu fantasio a minha visão e como eu vejo essas fantasias do meu próprio olhar.
“Do aspecto transmutador da música para mim no palco: de como estar ali faz provavelmente desaparecer uma opacidade natural do caráter bruto das coisas comuns sem sabores especiais do cotidiano, e como o haver ali sabores especiais em tudo me dá um aspecto de transfiguração – daí a idéia de que ali se propicia que alguém veja minha aura.”
Compor e cantar – “Duas dimensões e dois retornos diferentes à alma. Compor é motivo de extraordinário, transcendental orgulho pela vida, o de fazer parte do universo da criação; cantar é motivo de vaidade. É muito envaidecedor estar num palco e produzir prazer instantaneamente para todos – uma afirmação anímica de vida da música através das energias dos corpos humanos ao vivo. No palco, além de diversão, a sensação é de doação, de benfeitoria do homem para o homem. Já o momento da composição é solitário, individual, e, ao se esgotar, daí por diante é como se a música partisse para o mundo, como um filho. Cantar é reabraçar os filhos, reuni-los de novo ao seu corpo, fazê-los parte do seu corpo.”
“Cântaro = cantar o” – “Quando eu digo ‘cantar o’, eu digo de novo ‘cântaro’. Mais do que rima, é recomposição: a palavra ‘cântaro’ é reconstituída, como se tivessem embutido ali o cântaro. Muitas pessoas não devem nem perceber o ‘cantar o’; na audição deve prevalecer ‘cântaro’ mesmo.”