João Sabino
Gilberto Gil
Tava comendo banana pro santo
Pra quem?
Pro santo
Pra quem?
Pro santo
Pra quem?
Pro santo espírito senhor
Pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai de quem?
Pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai de quem?
Pai do filho do Espírito Santo
Filho do Espírito Santo
Filho de uma localidade de lá
Nessa localidade de lá
Uma abertura de si
Uma embocadura pra dó
Sustenindo uma passagem pra ré
Mi bemol
Já traz o som, o eco
A claridade
Ainda um pouco abaixo do horizonte
Atrás do monte
De mi pra fá
Sustenindo, suspendendo
Sustentando, ajudando o sol
Nascer
Aqui na terra
Atrás da serra
Cachoeiro do Itapemirim
O sol nascer
João Sabino, eu imagino
Quando era menino, via assim
64947033
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Gilberto Gil ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram Music
Abra o Olho
Gilberto Gil
Tava comendo banana pro santo
Pra quem?
Pro santo
Pra quem?
Pro santo
Pra quem?
Pro santo espírito senhor
Pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai de quem?
Pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai de quem?
Pai do filho do Espírito Santo
Filho do Espírito Santo
Filho de uma localidade de lá
Nessa localidade de lá
Uma abertura de si
Uma embocadura pra dó
Sustenindo uma passagem pra ré
Mi bemol
Já traz o som, o eco
A claridade
Ainda um pouco abaixo do horizonte
Atrás do monte
De mi pra fá
Sustenindo, suspendendo
Sustentando, ajudando o sol
Nascer
Aqui na terra
Atrás da serra
Cachoeiro do Itapemirim
O sol nascer
João Sabino, eu imagino
Quando era menino, via assim
64947033
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram 2001
“Projeto especial Carl Zeiss Optica”, Gilberto Gil, Universal 2001
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Universal 2001
“Lanny Gordin”, Lanny Gordin – participação Gilberto Gil, Barravento 2007
“Pneumaticamente falando”, Peu Meuray, Odò Produção Cultural 2012
“Sou eu pondo colírio nos olhos depois de ter fumado um cigarro de maconha, em Manaus. O hotel ficava fora da cidade, no meio do mato. Fui ao espelho, vi meus olhos vermelhos, pus colírio e fiz a música. Um diálogo de mim pra mim. O ‘ele’ é ‘o outro’, o outro eu, o do espelho. Um pingue-pongue-bumerangue: você joga pra atingir o que está lá, a seta volta e lhe atinge. Pelé e Zagallo dão o sentido de contradição e complementaridade yin-yang; um é África, o outro, Europa.”
Lugar Comum
Gilberto Gil
João Donato
Beira do mar
Lugar comum
Começo do caminhar
Pra beira de outro lugar
Beira do mar
Todo mar é um
Começo do caminhar
Pra dentro do fundo azul
A água bateu
O vento soprou
O fogo do sol
O sal do senhor
Tudo isso vem
Tudo isso vai
Pro mesmo lugar
De onde tudo sai
64947017
© Gege Edições Musicais / © Guilherme Araújo Produções Artísticas LTDA. (adm. por Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.)
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Ai plays Donato”, Ai Yazaki, Pôr Do Som Produções Artísticas 2013
“MPB piano collection/Gilberto Gil”, Arthur Moreira Lima, Sony Music 2000
“Bonfim / Nilópolis”, Ary Dias e Cidinho Moreira, Eduardo Magalhães De Carvalho 2008
“Sábado ao vivo”, Bena Lobo, Discobertas 2008
“Carla Visita Gilberto Gil (só chamei porque te amo)”, Carla Visi, MZA 2001
“Doris Monteiro agora”, Doris Monteiro, EMI 2004
“America”, Edsel Gomez e Arismar Do Espírito Santo, Lua Discos 2005
“Brasileirissimas”, Emilio Santiago, Philips 1976
“Duetos”, Gal Costa com Wanda Sá e Celia Vaz, BMG 2002
“Gilberto Gil ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram Music 1998
“O seu amor”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Isabella Paz” 1999
“MPB especial”, João Donato, Discobertas 2009
“Samboleiro”, João Donato, Dubas Musica 2009
“Sambou, sambou”, João Donato, EMI Music 2011
“Beira do mar”, João Donato, Dubas Musica 2000
“Lugar comum”, João Donato, Universal Music 2008
“MPB especial”, João Donato, Discobertas 2009
“Mar4”, João Donato, Dubas Music 2001
“Coisas tão simples”, João Donato, EMI Music 2006
“BIS bossa nova”, João Donato, EMI Music 2001
“S bossa nova 4”, João Donato, EMI Music 2004
“Retratos”, João Donato, EMI Music 2004
“O compositor e o interprete”, João Donato, Philis 1981
“João Donato e convidados”, João Donato, Biscoito Fino 2005
“Caipirinha -the best of pure Brazil II”, João Donato, Universal Music 2005
“The boys from Ipanema – pure Brazil II – CD 1”, Universal Music 2005
“João Donato”, João Donato e convidados / Donatural, Biscoito Fino 2005
“Água”, João Donato E Paula Morelenbaum, Biscoito Fino 2010
“Estúdio 66”, João Donato E Ricardo Silveira, MZA Música E Produções 2010
“Datas”, Kika Tristão, Visom Produções Artisticas 2008
“Leny Andrade”, Leny Andrade, Albotroz 2002
“Songbook João Donato – vol 3”, Leny Andrade, Lumiar Discos 2015
“Manu Santos”, Manu Santos, Saladesom Produções Artísticas 2010
“Contramão”, Mário Eugênio, Tratore Distribuição de CD 2010
“Paixão de Nelson Ayres Trio”, Nelson Ayres, Nelson Luiz Ayres De Almeida Freitas 2011
“Sandra Duailibe Convida Cely Curado – A Bossa Do Tempo”, Sandra Duailibe Forte Barbosa 2008
“Negócio da China – t.s. da novela”, Sérgio Mendes 2008
“Encanto”, Sérgio Mendes featuring Jovanotti, Universal Music 2008
“Cores vivas”, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, Tratore Distribuição de cd
“Like (love, inspiration, knowledge, energy)”, Vitoria Maldonado E Ron Carter, Vitoria Maldonado 2015
“A música de João Donato possui uma molecularidade própria imediatamente identificável, como se fosse composta de um número regular de átomos de uma substância simples, fundamental e conhecida; como o H2O. São muito dele um desprezo pela complexidade e uma essencialidade infantil no modo de compor. Isto já está no modo de ele falar, de utilizar a linguagem: João Donato é econômico, minimalista.
“Como o som musical, por mais qualificado que seja em relação à palavra, ainda não é o silêncio, a palavra acaba também não sendo um corpo absolutamente estranho na sua música. É como se, no fundo, as suas moléculas melódicas quisessem dizer coisas – mas as palavras é que dizem; as palavras é que querem dizer; dizer – é da palavra! Por isso ela cabe na sua música. A exigência, colocada de antemão pela forma como ele melodiza, é a de só dizer o que não pode deixar de ser dito; em reduzir o que se quer dizer à expressão mais essencial para compatibilizá-la com a intenção primordial da celularidade musical dele. Isso é que é difícil.”
*
“A letra de Lugar Comum foi escrita em Itapuã, no verão, estimulada pela sensação boa de estar ali e de ali ser um lugar comum a tanta gente comum – pela idéia de comunidade. Os versos finais reafirmam minha obsessão com o eterno retorno, com o sentido yin-yang da realimentação, do embricamento vida-e-morte e da polaridade dos contrários: a coisa de o um dar o dois, o dois dar o três, e o três dar tudo.
“A música, sem palavras, eu já conhecia e cantava; tinha uma admiração profunda pela beleza condensada dela. À época, o João Donato tinha voltado dos Estados Unidos e feito sua reintrodução à cena brasileira. Naquele momento fazíamos tudo informalmente: saíamos pelas noites, ele cantarolava as músicas e eu imaginava palavras para elas. Assim fizemos também A Bananeira, A Bruxa de Mentira, Emoriô, Que Besteira…”
Menina Goiaba
Gilberto Gil
Na excursão passada
Conquistei o seu amor
Meninada
Menina goiaba, goiabada Cascão
Andei também muito goiaba
E o disco que eu prometi
Não foi gravado, não
Não foi gravado, não
Que eu não soube lembrar
Seu nome que era o nome da canção
Não foi gravado, não
Que eu não pude cantar
Saudade de você cortou meu coração
Vamos ao show, que tá na hora
E o disco que eu prometi
Fica pro São João
64947009
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Gilberto Gil ao vivo”, Polygram Music 1998
Sim, Foi Você
Caetano Veloso
64946991
© BMG Music Publishing Brasil LTDA.
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Herói das Estrelas
Jorge Mautner
Nelson Jacobina
O herói tem uma capa de estrelas
E tem um cinto de cometas
E na testa a estrela solitária
Da irmandade dos planetas
Voa o seu vôo noturno
E nos dedos ele usa os misteriosos
Fulgurantes sete anéis de saturno
E tem nas mãos uma espada de luz
Que um anjo astronauta lhe deu
Quando se encontraram pelo espaço
E ao anjo astronauta ele então respondeu:
– O meu caminho eu sei
Mas eu não sei qual é o seu
No universo tudo vôa
Tudo parece balão
É que pra mim, anjo astronauta
Só me interessam os caminhos
Que levam ao coração
64946983
© Guilherme Araújo Produções Artísticas LTDA. (adm. por Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.)
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Cibernética
Gilberto Gil
Lá na alfândega Celestino era o Humphrey Bogart
Solino sempre estava lá
Escrevendo: “Dai a César o que é de César”
César costumava dar
Me falou de cibernética
Achando que eu ia me interessar
Que eu já estava interessado
Pelo jeito de falar
Que eu já estivera estado interessado nela
Cibernética
Eu não sei quando será
Cibernética
Eu não sei quando será
Mas será quando a ciência
Estiver livre do poder
A consciência, livre do saber
E a paciência, morta de esperar
Aí então tudo todo o tempo
Será dado e dedicado a Deus
E a César dar adeus às armas caberá
Que a luta pela acumulação de bens materiais
Já não será preciso continuar
A luta pela acumulação de bens materiais
Já não será preciso continuar
Onde lia-se alfândega leia-se pândega
Onde lia-se lei leia-se lá-lá-lá
Cibernética
Eu não sei quando será
Cibernética
Eu não sei quando será
68529411
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram, 1998
Dos Pés a Cabeça
Gilberto Gil
Eu estou onde está meu corpo
Meu corpo, onde estão os meus pés
Meus pés, onde está o chão
Ou então
Onde a cabeça
Com seu pensar em vão
Eu estou onde tudo esteja
Ou seja
Onde quer que esteja em mim
O céu, o chão, o não, o sim
A vontade de Deus
O meu corpo todo, eu acho
Vale quanto pesa e sente
Como pensa e é imenso
Como deve ser o vôo
Da terra pra lua
E a noite da lua
E a imensa viagem do dia do sol
E a continuação da imensidão
Pelo corredor da enfermaria
Daquele lugar aonde eu ia
Visitar meu namorado internado
Dado por louco
Por pouco, pouco, muito pouco
Pouco mesmo
68529423
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram 1998
“O seu amor”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
O Compositor Me Disse
Gilberto Gil
O compositor me disse que eu cantasse distraidamente
Essa canção
Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca
Vindo do pulmão
E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento jogando as palavras
Pelo ar
O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento
Sem ligar
Pras coisas que ele quis dizer
Que eu não pensasse em mim nem em você
Que eu cantasse distraidamente como bate o coração
E que eu parasse aqui
Assim
68529435
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Elis”, Elis Regina, Philips 1974
“Elis anos 70 – caixa 2”, Elis Regina, Universal Music 2012
“Gilberto Gil ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram Music 1998
“Giluminoso”, Gilberto Gil, UNB 1999
“Gilberto Gil ao vivo”, Gilberto Gil, Universal Music 2000
“O Compositor Me Disse é uma música que dialoga com a intérprete para a qual eu a compus, a Elis Regina, meio cabotinamente. Sou eu me arvorando ao mestre, tentando lhe ensinar coisas; falando como um terapeuta para um paciente. Ela própria se queixava muito de uma certa dificuldade para um relaxamento. Como não sou psiquiatra, psicólogo, eu lhe mandei um recado através da canção. Era uma lição de yoga, para induzi-la a pensar no respirar e a não pensar naquilo que está sendo dito, ao cantar; a fazer do canto um veículo de expressão da interioridade completa, e da serenidade um pressuposto, um patamar da elevação do canto. Ela sabia do que se tratava, e havia suficiente intimidade entre nós para que aquilo não soasse pretensioso, demasiadamente cabotino, paternalista até. Ela tinha admiração por minhas inclinações pela yoga; gostava do meu modo de gostar disso. E gostava de me gravar. Elis foi a cantora que mais me gravou, considerando o período da sua produção. Ela era louca por mim, eu era louco por ela, por outras tantas razões – eu fui apaixonado por ela fisicamente.”
Copo Vazio
Gilberto Gil
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar
É sempre bom lembrar
Guardar de cor
Que o ar vazio de um rosto sombrio
Está cheio de dor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor
Que a dor ocupa a metade da verdade
A verdadeira natureza interior
Uma metade cheia, uma metade vazia
Uma metade tristeza, uma metade alegria
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
68529447
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
arranjo, voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Dez canções”, Adriana Maciel
“Lisboa-Rio”, Antonio Chainho, Movieplay
“Sinal fechado”, Chico Buarque, Universal Music
“As raras e assinadas”, Zizi Possi, Polygram Music
“A musica de Gilberto Gil”, Chico Buarque, Fontana/Polygram 1977
“Coleção Chico Buarque”, Chico Buarque, Sony Music 2010
“Historia da MPB”, Gilberto Gil, Abril Cultural 1982
“O rancho do novo dia”, Gilberto Gil, Philips 1981
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Polygram Music 1998
“Giluminoso”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2006
“A arte de Gilberto Gil’, Gilberto Gil, Universal Music 2005
“Série gold”, Gilberto Gil, Universal Music 2002
“Ao vivo”, Gilberto Gil, Universal Music 2000
“O seu amor”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Lugar comum”, Gilberto Gil, Universal Music 2008
“Rio Eu Te Amo – t.s”, Sony Music, Gilberto Gil e Chico Buarque 2014
“Gil na delas”, Zizi Possi, BMG 2005
“As raras e assinadas”, Zizi Possi, Polygram 1995
“T.s vidas em jogo”, Zizi possi, Record 2011
“Songbook Gilberto Gil – vol 3”, Zizi Possi e Helio Delmiro 2015
“Chico Buarque estava sendo hipercensurado naquele momento, e quis responder a isso fazendo um disco só com músicas de colegas. Por isso pediu a Paulinho da Viola, a Caetano, a mim e a outros que compusessem para ele.
“Eu estava em casa, sentado no sofá, já de madrugada. Tinha tomado um copo de vinho no jantar, e o copo tinha ficado na mesa. Pensando no que é que eu ia fazer pro Chico, eu de repente vi o copo vazio e concentrei o olhar nele para dali extrair emanações de imagens e significados, a princípio como se para nada obter, mas logo constatando: ‘O copo está vazio, mas tem ar dentro’. Disso me vieram idéias acerca das camadas de solidificação e rarefação que vão se sucedendo nas coisas – e disso, a música.
“A letra faz uma viagem ao mundo das coisas sutis, transcendentes, mas suas primeiras frases são muito significativas em termos do que estava acontecendo: regime de exceção, censura, o Chico privado de sua liberdade artística plena etc. Embora não fosse essa a intenção principal, as dificuldades da situação contingencial estavam necessariamente metaforizadas, e qualquer crítica à canção em termos de fuga da realidade esbarraria no fato de que, ao contrário, a letra parte da realidade e não foge dela; foge com ela, se for o caso…”