It’s good to be alive
Gilberto Gil
The same man I’ve been I’ll stay
I’ll better stay, no matter how long
Until it finally comes, the day
I hear inside the sound of the gong
Then now I’ll certainly give away
Oh, give away
My possessions
All my passions
All my songs
And once I got my freedom I’ll go
I’ll better go no matter how far
And definitely I’ll wait till I know
Nowhere else I could get with my car
Then now I’ll be stuck again with my show
Oh, with my show
Back here
In Bahia
Or in a star
To be alive is good
Good enough, baby, just to be alive
To sing a song is good
Good enough, baby, just to sing a song
BRWMB0201227
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Língua do pê
Gilberto Gil
Gaparanpantopo quepe vopocêpê
Garanto que você
Nãpão vapai não vai
Nãpão vapai não vai
Compomprepeenpendeper
Bulhufas
Bulhufas
Dopo quepe tempentapamopos lhepe dipizeper
Não tem problema
Não tem problema
Espetapamopos pelaí
Não tem problema
Não tem problema
Espetapamopos espepeperanpandopo coisas pela aí
Smetak tak tak tak (tak tak tak tak tak)
Mariá bababa baba baba
Catuaba
Cachoeira
Vão me procurar na Lapa
Na gruta da Mangabeira
Quarta-feira de manhã
Quarta-feira de manhã
BRWMB0201228
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Quase tudo dá”, Cris Aflalo, Tratore
“LeGal”, Gal Costa, Philips
Terra 90
Gilberto Gil
Apesar de bela
Não basta só pensar nela
Como uma bola no ar
A Terra é onde mora a vida
Onde os pés pisam o chão
Onde o ser toma medida
De entregar-se à encarnação
Apesar de linda
Não basta sonhá-la infinda
Ela pode se acabar
A Terra também respira
Pode faltar-lhe um pulmão
De repente o tempo vira
Partindo-lhe o coração
Apesar de tudo
O mar ainda não está mudo
Sempre há de haver salvação
O desafio da eterna salvação
Cheio, vazio, criação, descriação
Que fia o fio e desafia a razão
Que traz o cio que retorna à imensidão
Que traz o tio ter sido antes o irmão
Corre o rio, como vomita o vulcão
Há milhões, milhões de anos
Que ela sofre mas se agüenta
Só neste século XX vem de completar 90
Minha Terra 90, minha Terra 90
Apesar de tanta idade
Até que não aparenta
Terra firme, terra forte
Quem tanto te sustentou
Mais um tanto te sustenta
Terra firme, terra forte
Quem tanto te sustentou
Mais um tanto te sustenta
BRWMB0201229
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Treze de dezembro
Gilberto Gil
Luiz Gonzaga
Zé Dantas
Bem que essa noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando e ao longe
Ouvi o ronco alegre do trovão
Alguma coisa forte pra valer
Estava pra acontecer na região
Quando o galo cantou
Que o dia raiou
Eu imaginei
É que hoje é treze de dezembro
E a treze de dezembro nasceu nosso rei
O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de Dom Sebastião
Como fruto do matrimônio do cometa Januário
Com a estrela Sant’Ana
Ao romper da era do Aquário
No cenário rico das terras de Exu
O mensageiro nu dos orixás
É desse treze de dezembro que eu me lembrarei
E sei que não me esquecerei jamais
BRWMB0201230
© Gege Edições Musicais / © BMG Music Publishing Brasil LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Chiquinho Azevedo
Gilberto Gil
Chiquinho Azevedo
Garoto de Ipanema
Já salvou um menino
Na praia do Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente
Levou-se o menino
Pra uma clínica em frente
E o médico não quis
Vir atender à gente
Nessa hora nosso sangue ficou bem quente
Menino morrendo
Era aquela agonia
E o doutor só queria
Mediante dinheiro
Nessa hora vi quanto o mundo está doente
Discutiu-se muito
Ameaçou-se briga
Doze litros de água
Tiraram da barriga
Do menino que sobreviveu, finalmente
Chiquinho Azevedo
Teve muita coragem
Lá na Boa Viagem
Na praia do Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente
Todo mundo me pergunta
Se essa história aconteceu
Aconteceu, minha gente
Quem está contando sou eu
Aconteceu e acontece
Todo dia por aí
Aconteceu e acontece
Que esse mundo é mesmo assim
BRWMB0201232
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
violão – Celso Fonseca
bateria e bandolim – Jorge Gomes
flauta – Lucas Santana
percussão – Marcos Suzano
baixo – Arthur Maia
Outras gravações:
“Quanta”, Gilberto Gil, Warner Music 1997
“It’s good to be alive -anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“A música foi feita, em desagravo ao Chiquinho, depois da prisão em Florianópolis. Como ele tinha sido condenado comigo por porte de maconha, e tinha ficado aquela pequena mancha na imagem dele, e como antes – em 75 – tinha acontecido o episódio que eu conto na canção, em que ele tinha tido a atitude heróica de salvar um menino em Recife, eu achei que era uma boa oportunidade para fazer um contraponto e, ao homenageá-lo, mostrar como ele era um belo cidadão, uma pessoa extraordinária, e como o fato de ele fumar e ter sido preso com maconha não diminuía em nada a beleza do ser humano que estava nele.
“O episódio aconteceu durante a excursão do show Refazenda. Chiquinho, Momó (Moacir Albuquerque) e Dominguinhos tocavam comigo. Eu, Momó e Chiquinho – que viria depois a ser o baterista dos Doces Bárbaros – estávamos na praia, e, de repente, um menino se afogando, ele vai, se joga no mar, salva e traz o menino pra areia. O menino naquela agonia, inconsciente, bem defronte havia uma clínica; levamos o menino pra lá, o socorro era urgente, e aí, o médico: ‘Peraí, quem vai pagar, quem é o responsável, e não sei o quê.’ Aquela história. ‘Responsável, coisa nenhuma!’, a gente começou a gritar e xingar.”
A faca e o queijo
Gilberto Gil
Você reclama
Que eu não lhe faço uma canção
Acha que a chama
A velha chama da paixão
Não nos inflama mais
Com tanto ardor
Como na época em que éramos
A faca e o queijo
A faca e o queijo
E o desejo tinha mãos
E as mãos, traquejo
No bom manejo da emoção
No jeito de tomar
No ato de cortar
No simples fato de juntar
A faca e o queijo
A gente ama
E o amor produz transformações
A velha chama
Acende novas ilusões
Com mãos bem mais sutis
Novos desejos
Vão tornando nossos beijos
Mais azuis, menos carmins
Você reclama
E eu sei que é só por reclamar
Como quem chama
Outra criança pra jogar
Seus jogos infantis
Ainda nos vejo como outrora
Faca e queijo, sim
Num tempo mais feliz
BRWMB0201233
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Outras gravações:
“Envelope”, Banda Larga Cordel, Gege Produções 2008
“Banda larga cordel” , Gilberto Gil, Warner Music 2008
“It’s good to be alive – anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
Poema aritimimético
Gilberto Gil
Tantos versos de arte maior
Nove sílabas, mais, três a três
Esculpido, expandido de cor
Poema aritmético
Tema aritimimético
Recitado por nove casais
Evocando a memória de seis
Legendários senhores feudais
São dezoito jograis, vezes dez
São trezentas e sessenta mãos
São trezentos e sessenta pés
São as vozes na triste canção
São castelos, tavernas, bordéis
Castelos, tavernas, bordéis
São baladas de amor, catedrais
Armaduras, espadas, anéis
Sedução de vassalos leais
Traição de amantes fiéis
Protitutas, bufões, tribunais
Um complô de cardeais contra o rei
Trágicos, fatídicos finais
Os punhais por detrás matam seis
Lendários senhores feudais
Matam mais os audazes vilões
Matarão mesmo os nove casais
De jograis provençais, vezes 10
Cortam-lhes as cabeças e os pés
As trezentas e sessenta mãos
É um massacre, a matança cruel
Semelhante a São Bartolomeu
Já não matam mais seis, mas seis mil
Não matam mais seis, mas seis mil
Mil e quinhentos Pedro Cabral
De repente já é o Brasil
Como em 2001, A Odisséia no Espaço
No tempo, no breu
No espaço, no tempo, no breu
Na noite de São Bartolomeu
Versos de arte maior já não são
É o osso quebrado, é o céu
É a nave varando a amplidão
A nave varando a amplidão
Mil anos-luz daqui e de agora
Valei-me Deus e Nossa Senhora
Guiai-me no campo magnético
Poema aritmético
Tema aritimimético
BRWMB0201234
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Você e você
Gilberto Gil
Diz o I Ching:
Divino é saber
O que distingue
Você de você
Você dos outros
Do outro você
Você do mundo
Do você do ser
Você num canto
Vive o espanto
Enquanto o outro você
Sai pra viver
Por aí
Tanto pranto, tanta dor
Seu irmão
Pede o seu amor
Diz o I Ching:
Divino é saber
São dois no ringue
Você e você
Você que ataca
Pra se defender
Que beija a lona
Pra poder vencer
Você num canto
Apanha tanto
Enquanto o outro você
Bate demais
Deus do céu
Quanto sangue pelo chão
Seu irmão
Pede o seu perdão
BRWMB0201236
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
Pela Internet
Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
BRWMB0201239
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Liminha
bateria – Jorginho Gomes
Cérebro eletrônico
Gilberto Gil
O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões de carne e osso
Hum, hum
Eu falo e ouço
Hum, hum
Eu penso e posso
Eu posso decidir se vivo ou morro
Porque
Porque sou vivo, vivo pra cachorro
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Em meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo, ah, sou muito vivo
E sei
Que a morte é nosso impulso primitivo
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro
BRWMB0201240
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
baixo – Liminha
bateria – Jorginho Gomes
Outras gravações:
“Barulhinho bom”, Marisa Monte, EMI Music
“A arte de Gilberto Gil”, Polygram/Fontana 1985
“Multishow ao vivo – Caetano e Maria Gadú”, Caetano Veloso e Maria Gadú, Universal Music 2011
“Gilberto Gil revisitado”, Gilberto Gil, Dubas Music 2004
“Personalidade – vol. 2”, Gilberto Gil, 2 Novodisc Mídia Digital 2013
“Giluminoso”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2006
“UNB”, Gilberto Gil 1999
“Millennium”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Gilberto Gil”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Quilombo”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“Quanta gente veio ver”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“It’s good to be alive – anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“Barulinho bom”, Marisa Monte, EMI Music 2004
“Viver a vida”, Mylena, Som Livre 2009
“Tempos modernos”, Mylene, Som Livre 2009
“Eu estava preso havia umas três semanas, quando o sargento Juarez me perguntou se eu não queria um violão. Eu disse: ‘Quero’. E ele me trouxe um, com a permissão do comandante do quartel. O violão ficou comigo uns quinze dias. Aí, eu, que até então não tinha tido estímulo para compor (faltava a ‘voz’ da música, o instrumento), fiz Cérebro Eletrônico, Vitrines e Futurível – além de uma outra, também sob esse enfoque, ou delírio, científico-esotérico, que possivelmente ficou apenas no esboço e eu esqueci.
“O fato de eu ter sido violentado na base de minha condição existencial – meu corpo – e me ver privado da liberdade da ação e do movimento, do domínio pleno de espaço-tempo, de vontade e de arbítrio, talvez tenha me levado a sonhar com substitutivos e a, inconscientemente, pensar nas extensões mentais e físicas do homem, as suas criações mecânicas; nos comandos tele-acionáveis que aumentam sua mobilidade e capacidade de agir e criar. Porque essas são idéias que perpassam as três canções.”
O mar e o lago
Gilberto Gil
Rugas no rosto moreno
Ondas no lago sereno
Vento repentino
Ares de menino
Fugas de brigas de rua
Luas e luas e luas
Repentina paz
Meu velho rapaz
O velho Mário Lago
O velho, o mar e o lago
O mar e o lago
A alma bem resolvida
A embarcação ancorada
Mar incorporado
Mares do passado
Aqui agora o presente
Lago tranquilo da mente
Paz no coração
Meu amado irmão
O velho Mário Lago
O velho, o mar e o lago
O mar e o lago
BRWMB0201241
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
Outras gravações:
“Quanta”, Gilberto Gil, 1997
“It ‘s good to be alive – anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
Buda nagô
Gilberto Gil
Dorival é ímpar
Dorival é par
Dorival é terra
Dorival é mar
Dorival tá no pé
Dorival tá na mão
Dorival tá no céu
Dorival tá no chão
Dorival é belo
Dorival é bom
Dorival é tudo
Que estiver no tom
Dorival vai cantar
Dorival em CD
Dorival vai sambar
Dorival na TV
Dorival é um Buda nagô
Filho da casa real da inspiração
Como príncipe, principiou
A nova idade de ouro da canção
Mas um dia Xangô
Deu-lhe a iluminação
Lá na beira do mar (foi?)
Na praia de Armação (foi não)
Lá no Jardim de Alá (foi?)
Lá no alto sertão (foi não)
Lá na mesa de um bar (foi?)
Dentro do coração
Dorival é Eva
Dorival Adão
Dorival é lima
Dorival limão
Dorival é a mãe
Dorival é o pai
Dorival é o peão
Balança, mas não cai
Dorival é um monge chinês
Nascido na Roma negra, Salvador
Se é que ele fez fortuna, ele a fez
Apostando tudo na carta do amor
Ases, damas e reis
Ele teve e passou (iaiá)
Teve o mundo aos seus pés (ioiô)
Ele viu, nem ligou (iaiá)
Seguidores fiéis (ioiô)
E ele se adiantou (iaiá)
Só levou seus pincéis (ioiô)
A viola e uma flor
Dorival é índio
Desse que anda nu
Que bebe garapa
Que come beiju
Dorival no Japão
Dorival samurai
Dorival é a nação
Balança, mas não cai
BRWMB0201242
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz, violão e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
percussão – Gustavo di Dalva
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
Outras gravações:
“Chegar a Bahia”, Clecia Queiroz, Usina Cultural
“Som Brasil canta Caymmi”, Gilberto Gil, Som livre 2004
“Parabolicamara”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“It ‘s good to be alive – anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“The very best of Gilberto Gil the soul of Brazil”,Warner Music, Gilberto Gil 2005
“Parabolicamara”, Gilberto gil, Warner Music
“Para Gil e Caetano”, Margareth Menezes, Canal Brazil s/a 2014
“Caixa Nana Caymmi (CD eu sei que vou te amar – cd2)”, Nana Caymmi e Gilberto Gil, Emi Music 2011
“A música, sem a letra – e sem nada pensado para ela -, nasceu em Roma, no hotel, depois de um show da família Marley (mãe, mulher e filhos), do qual eu havia participado. Na volta ao Brasil, eu já sabia que seria para Caymmi. Fui listando, experimentalmente: ‘Dorival é isso’, ‘Dorival é aquilo’ etc. etc. etc.; algumas coisas ficaram, muitas não. Até que me ocorreu: ‘Dorival é ímpar’ – e eu me tranquilizei: ali estava um começo, sem dúvida; pois em seguida veio “Dorival é par’ e, de par em par, todo o texto de contrastes.”
O sagrado no profano – “As semelhanças, por mim engendradas, e dessemelhanças entre as trajetórias do Buda e do Caymmi, o nosso Buda, ocidental, atual, transpreto e transreligioso. Um, abandonando o palácio e a vida principesca para iniciar sua peregrinação acética de abdicações e mortificações, até sentar-se cansado, como conta a lenda, debaixo de uma árvore e, aí, se iluminar. E o outro, obtendo a, segundo o meu ponto de vista, iluminação – a elevação de espírito que ele demonstra ter -, no percurso de uma vida mundana, de um roteiro que passa por lugares comuns.
“Mais exatamente: pela praia de Armação, perto do Jardim de Alá, onde há muitos anos se concentravam as grandes comunidades de pescadores de Salvador; pelo sertão de Olho D’Água, Lagoinha e outras citadas por ele na música Fiz Uma Viagem, onde o personagem vai de uma cidade pra outra do interior; e pelas famosas mesas dos bares de Copacabana, onde Estela, sua mulher, ia buscá-lo, ele tomando seu conhaque.
“A iluminação de um homem comum e a desnecessidade da visão sacralizante de um espaço especialmente ungido para obtê-la. Esses os sentidos de Buda Nagô.”
Last but not least – “Eu tinha me dado por satisfeito com a canção, quando dias depois senti que a parte B merecia uma replicação, e o conceito do ‘Buda nagô’, outra carga explicatória. Então, a partir de mais uma conjunção de imagens contrastantes, a do monge chinês nascido na Roma baiana, eu criei a estrofe em que faço a descrição da renúncia na vida de Caymmi – o que teria levado, nele, à limpeza do terreno interior -, com as referências às cartas de jogo aparecendo para dar a idéia dos tempos do Cassino da Urca, no Rio.”
Aquele abraço
Gilberto Gil
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março
Alô, alô, Realengo – aquele abraço!
Alô, torcida do Flamengo – aquele abraço!
Chacrinha continua balançando a pança
E buzinando a moça e comandando a massa
E continua dando as ordens no terreiro
Alô, alô, seu Chacrinha – velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha – velho palhaço
Alô, alô, Terezinha – aquele abraço!
Alô, moça da favela – aquele abraço!
Todo mundo da Portela – aquele abraço!
Todo mês de fevereiro – aquele passo!
Alô, Banda de Ipanema – aquele abraço!
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu – aquele abraço!
Pra você que meu esqueceu – aquele abraço!
Alô, Rio de Janeiro – aquele abraço!
Todo o povo brasileiro – aquele abraço!
BRWMB0201243
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
percussão – Gustavo di Dalva
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
Outras gravações:
“Arthur Moreira Lima”, Arthur Moreira Lima, SONY
“Show Elis e Miele”, Elis Regina e Miele, Polygram
“Força de expressão”, Ivo Meirelles e Funk’n’lata, FC Record
“Leandro Sapucahy ao vivo”, Leandro Sapucahy, Warner Music
“Ao vivo no Metropolitam”, Legião Urbana, EMI
“Songbook Gilberto Gil vol1”, Tim Maia, Lumiar
“MPB em CY”, Quarteto em Cy, CID
“Igreja Jesus Cristo Dos Santos Do Ultim”, Celebração 2004
“A musica de Gilberto Gil”, TCPA/TOP CAT 2007
“3 na bossa”, Deck Produções Artisticas 2014
“Samba da minha terra”, Alexandre Pires, Emi Music 2013
“Cristo 80 anos – show da paz”, Alexandre Pires, GLP Marketing e Entretenimento 2011
“Na veia”, Arlindo Cruz e Rogê, Polysom 2016
Arthur Moreira Lima, Sony 2000
“SPB”, Augusto Martins, Mills Records 2011
“Amores do Rio Firjan”, Banda e coral da Firjan 2002
“Rod Hanna disco Club”, Banda Rod Hanna, Lua Produçõe Sonoras Especiais 2008
“Barra 69”, Caetano veloso com Gilberto Gil, Universal 1996
“Cantando o Brasil”, Coral de Itaipu, Itaipu Binacional 2014
“Daniela Mercury e cabeça de nós todos”, Oesp Mídia S.A 2013
Flora Caju, Dimi Zumque, Claudia Teixeira/CT Prod. e Eventos 2002
“Retrato cantado – Dimi Zumquê 25 anos”, Dimi Zumque, Edmilson Donizeti Da Silva 2014
“Light my fire”, Eliane Elias 2012
“Show Elis e Miele”, Elis e Miele, Polygram 1998
“Elis Regina revistada”, Elis Regina, Dubas 2005
“Elymar canta Marron”, Elymar Dos Santos 2011
“Equale no Expresso 2222 Cdyou”, Equale, Eletrônica Digital 2001
“Som do barzinho vol. 10”, Evandro Marinho, Universal Music 2001
“Evelyn”, Evelyn, Som livre 2005
“Perfil – Fernanda Abreu”, Fernanda Abreu, Som Livre 2010
“ALM a música ao vivo”, Francis Hime, Biscoito Fino
“Live in London 71 – disco 3 “, Gal Costa e Gilberto Gil, Polysom 2014
“Historia da MPB”, Gilberto Gil, Abril Cultural, Fasciculos 2012
“As letras que o Brasil canta”, Gilberto Gil, Academia Brasileira De Letras 2007
“Música do seculo 5” Gilberto Gil, Caras 1999
“Bar do Mineiro Santa Teresa Rio de Janeiro”, Gilberto Gil, Dubas 2003
“Anos dourados – anos 60 e 70”, Gilberto Gil, Emi 1999
“Projeto especial Readers Digest”, Gilberto Gil, Emi music 1999
“Autografos de sucessos”, Gilberto Gil, Emi Music 1982
“Viagem Nestlé pela literatura”, Gilberto Gil, Fundação Nestlé 2003
“Banda Larga ao vivo em São Paulo”, Gilberto Gil, Gege Produções Artísticas 2008
“T.s. Os Dias Eram Assim”, Gilberto Gil, Som Livre 2017
“Grandes hits MPB1”, Gilberto Gil, Gradiante 2001