Palco
Gilberto Gil
Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê
De bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor
Dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos têm na testa
O deus Sol como um sinal
Um sinal
Eu, como devoto
Trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro
Quem manda é a deusa Música
Pedindo pra deixar
Pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cântaro cantar
Lalaiá
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
BRWMB9705979
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
“Eu estava havia três dias pensando em parar de cantar; em deixar a seqüência profissional de discos e shows. Estava prestes a tomar essa decisão – e avisar todo mundo -, mas não por uma razão que tivesse a ver com cantar, que é a coisa que mais me encanta na vida. Minha sensação era de fastio; eu queria era um elemento que me trouxesse um novo ânimo. ‘Se eu vou parar mesmo’, pensei, ‘eu tenho que fazer uma declaração pública, e essa declaração tem de ser musical.’ Aí eu fiz Palco, uma canção que era na verdade pra não deixar dúvida a respeito de tudo o que cantar representa para mim, e a respeito da minha relação com a música – simbolizada de forma completa pelo estar no palco.”
De que fala Palco (“o primeiro afoxé forte”) – “De um espaço semi-sagrado; da sua função exorcizante, catártica, clínica – daí o refrão (na hora em que compus, eu me lembrava muito do pouco que sabia sobre as tragédias gregas, o palco grego, Dionísios).
“De um sacerdócio; da capacidade de administrar um ritual – o da música em funcionamento, cumprindo seus ditames; de como eu me vejo nesse papel, como eu fantasio a minha visão e como eu vejo essas fantasias do meu próprio olhar.
“Do aspecto transmutador da música para mim no palco: de como estar ali faz provavelmente desaparecer uma opacidade natural do caráter bruto das coisas comuns sem sabores especiais do cotidiano, e como o haver ali sabores especiais em tudo me dá um aspecto de transfiguração – daí a idéia de que ali se propicia que alguém veja minha aura.”
Compor e cantar – “Duas dimensões e dois retornos diferentes à alma. Compor é motivo de extraordinário, transcendental orgulho pela vida, o de fazer parte do universo da criação; cantar é motivo de vaidade. É muito envaidecedor estar num palco e produzir prazer instantaneamente para todos – uma afirmação anímica de vida da música através das energias dos corpos humanos ao vivo. No palco, além de diversão, a sensação é de doação, de benfeitoria do homem para o homem. Já o momento da composição é solitário, individual, e, ao se esgotar, daí por diante é como se a música partisse para o mundo, como um filho. Cantar é reabraçar os filhos, reuni-los de novo ao seu corpo, fazê-los parte do seu corpo.”
“Cântaro = cantar o” – “Quando eu digo ‘cantar o’, eu digo de novo ‘cântaro’. Mais do que rima, é recomposição: a palavra ‘cântaro’ é reconstituída, como se tivessem embutido ali o cântaro. Muitas pessoas não devem nem perceber o ‘cantar o’; na audição deve prevalecer ‘cântaro’ mesmo.”
Is this love
Robert Nesta Marley (Bob Marley)
BRWMB9705980
© Bob Marley Music / Universal Music Publishing LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Stir it up
Robert Nesta Marley (Bob Marley)
BRWMB9705981
© Bob Marley Music / Universal Music Publishing LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Refavela
Gilberto Gil
Iaiá, kiriê, kiriê, iaiá
A refavela
Revela aquela
Que desce o morro e vem transar
O ambiente
Efervescente
De uma cidade a cintilar
A refavela
Revela o salto
Que o preto pobre tenta dar
Quando se arranca
Do seu barraco
Prum bloco do BNH
A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela
Revela a escola
De samba paradoxal
Brasileirinho
Pelo sotaque
Mas de língua internacional
A refavela
Revela o passo
Com que caminha a geração
Do black jovem
Do black-Rio
Da nova dança no salão
Iaiá, kiriê, kiriê, iáiá
A refavela
Revela o choque
Entre a favela-inferno e o céu
Baby-blue-rock
Sobre a cabeça
De um povo-chocolate-e-mel
A refavela
Revela o sonho
De minha alma, meu coração
De minha gente
Minha semente
Preta Maria, Zé, João
A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela
Alegoria
Elegia, alegria e dor
Rico brinquedo
De samba-enredo
Sobre medo, segredo e amor
A refavela
Batuque puro
De samba duro de marfim
Marfim da costa
De uma Nigéria
Miséria, roupa de cetim
Iaiá, kiriê, kiriê, iáiá
BRWMB9705982
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
“Em 77, eu fui participar do Festac, festival de arte e cultura negra, em Lagos, na Nigéria, onde reencontrei uma paisagem sub-urbana do tipo dos conjuntos habitacionais surgidos no Brasil a partir dos anos 50, quando Carlos Lacerda fez em Salvador a Vila Kennedy, tirando muitas pessoas das favelas e colocando-as em locais que, em tese, deveriam recuperar uma dignidade de habitação, mas que, por várias razões, acabaram se transformando em novas favelas.
“Para abrigar os 50 mil negros do mundo inteiro que para lá acorreram, tinha sido construída uma espécie de vila olímpica com pequenas casas feitas com material barato e um precário abastecimento de água e luz, que reavivou em mim a imagem física do grande conjunto habitacional pobre. Refavela foi estimulada por este reencontro, de cujas visões nasceu também a própria palavra, embora já houvesse o compromisso conceitual com o re para prefixar o título do novo trabalho, de motivação urbana, em contraposição a Refazenda, o anterior, de inspiração rural.
“A esses fatores se somaram outros, locais: a mobilidade, por vezes difícil, outras vezes facilitada, dos negros cariocas na relação morro-asfalto e o movimento da juventude black-Rio, que se instalava propondo novos estilos de participação na questão da negritude no Brasil e no mundo, com mais atividade cultural e absorção de elementos do discurso e da luta negra da América e da África.
“A dificuldade com que a história tem-se defrontado para proporcionar o verdadeiro resgate da cultura e da natureza dos negros, exatamente pela manutenção reiterada da sua condição paupérrima; a coisa da ‘miséria roupa de cetim’, da ‘Belíngia’ (Bélgica/Índia), esse binômio de disparidades – Refavela é sobre isso. A informação forte da música está nas duas primeiras estrofes; perto delas, o resto é ornamento.”
*
“Preta Maria, Zé, João” – “‘Preta Maria’: Preta Maria e Maria, as minhas filhas e da Sandra (Preta é de 74, Maria, de 76; era pequenininha na época). A música ‘antevê’ José, meu filho, que nasceria em 91, e João, meu neto, em 90; ‘Zé, João’: brasileiros.”
Quanta
Gilberto Gil
Quanta do latim
Plural de quantum
Quando quase não há
Quantidade que se medir
Qualidade que se expressar
Fragmento infinitésimo
Quase que apenas mental
Quantum granulado no mel
Quantum ondulado no sal
Mel de urânio, sal de rádio
Qualquer coisa quase ideal
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
Canto de louvor
De amor ao vento
Vento, arte do ar
Balançando o corpo da flor
Levando o veleiro pro mar
Vento de calor
De pensamento em chamas
Inspiração
Arte de criar o saber
Arte, descoberta, invenção
Theoría em grego quer dizer
O ser em contemplação
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um deus fugaz
Que faz num momento e no mesmo momento desfaz
Esse vago deus por trás do mundo
Por detrás do detrás
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
BRWMB9705985
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Estrela
Gilberto Gil
Há
De surgir
Uma estrela no céu cada vez que ocê sorrir
Há
De apagar
Uma estrela no céu cada vez que ocê chorar
O contrário também bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar quando a lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar
Só pra ver a flor do seu sorriso se abrir
Hum
Deus fará
Absurdos, contanto que a vida seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre tudo o que Ele consentir
BRWMB9705986
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Outras gravações:
“Novelas acústico”, Anna Luisa, Deck Disc
“Para ouvir”, Caçulinha, SIGLA
“Emílio Santiago”, Emílio Santiago, Som Livre
“Brasil Branconegro”, Grupo Tom da Terra, CPC UMES
“Padre Antônio Maria com vida”, Padre Antônio Maria e Simone
“Gil e Caetano em Cy”, Quarteto em CY, CID
“10 anos da Globo filmes”, Gilberto Gil, Som Livre 2008
“Concerto de cordas e máquinas de ritmo”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2012
“Trilha sonora da novela a indomada”, Gilberto Gil, Som Livre 1997
“Quanta”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“Projeto especial IBM”, Gilberto Gil, Warner Music 1997
“Musica”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“Nova série”, Gilberto Gil, Warner Music 2007
“Gilberto Gil no palco – nova série”, Gilberto Gil, Versal Editores 2005
“O maior amor do mundo”, Gilberto Gil (voz), Gege Produções 2006
“Brasil Branconegro”, Grupo Tom Da Terra, CPC Umes 2002
“A. Aquino Prod. Prom”, Luan Rodrigues 1999
“Mais misturado”, Mart’nália, Biscoito Fino 2016
“Padre Antonio Maria Com Vida”, Padre Antonio Maria Com Vida, Caná Promoções 2003
“Com vida”, Padre Antônio Maria e Simone, Caná Promoções e Comércio 2012
“Gil e Caetano em CY”, Quarteto em CY, CID 1999
“Vocal Gilberto Gil”, Susana Baca, Travesías Luaka BOP 2006
“Infinitamente”, Targino Gondim, Atracao Fonografica 2011
“Cores vivas”, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, Tratore Distribuição de CD’S
Pela Internet
Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
BRWMB9705989
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Cérebro eletrônico
Gilberto Gil
O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões de carne e osso
Hum, hum
Eu falo e ouço
Hum, hum
Eu penso e posso
Eu posso decidir se vivo ou morro
Porque
Porque sou vivo, vivo pra cachorro
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Em meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo, ah, sou muito vivo
E sei
Que a morte é nosso impulso primitivo
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro
BRWMB9705990
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Outras gravações:
“Barulhinho bom”, Marisa Monte, EMI Music
“A arte de Gilberto Gil”, Polygram/Fontana 1985
“Multishow ao vivo – Caetano e Maria Gadú”, Caetano Veloso e Maria Gadú, Universal Music 2011
“Gilberto Gil revisitado”, Gilberto Gil, Dubas Music 2004
“Personalidade – vol. 2”, Gilberto Gil, 2 Novodisc Mídia Digital 2013
“Giluminoso”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2006
“UNB”, Gilberto Gil 1999
“Millennium”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Gilberto Gil”, Gilberto Gil, Universal Music 2004
“Quilombo”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“Quanta gente veio ver”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“It’s good to be alive – anos 90”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“Barulinho bom”, Marisa Monte, EMI Music 2004
“Viver a vida”, Mylena, Som Livre 2009
“Tempos modernos”, Mylene, Som Livre 2009
“Eu estava preso havia umas três semanas, quando o sargento Juarez me perguntou se eu não queria um violão. Eu disse: ‘Quero’. E ele me trouxe um, com a permissão do comandante do quartel. O violão ficou comigo uns quinze dias. Aí, eu, que até então não tinha tido estímulo para compor (faltava a ‘voz’ da música, o instrumento), fiz Cérebro Eletrônico, Vitrines e Futurível – além de uma outra, também sob esse enfoque, ou delírio, científico-esotérico, que possivelmente ficou apenas no esboço e eu esqueci.
“O fato de eu ter sido violentado na base de minha condição existencial – meu corpo – e me ver privado da liberdade da ação e do movimento, do domínio pleno de espaço-tempo, de vontade e de arbítrio, talvez tenha me levado a sonhar com substitutivos e a, inconscientemente, pensar nas extensões mentais e físicas do homem, as suas criações mecânicas; nos comandos tele-acionáveis que aumentam sua mobilidade e capacidade de agir e criar. Porque essas são idéias que perpassam as três canções.”
Opachorô
Gilberto Gil
Oxalá Deus queira
Oxalá, tomara
Haja uma maneira
Deste meu Brasil melhorar
Santa Clara queira
Queira Santa Clara
Falte uma besteira
Presse céu de anil clarear
Oxalá paz
Opachorô
Haja bem mais
Opachorô
Oxalá nós
Opachorô
Nos banhemos de luz
De luz de luz
De Todos os Santos
E da Guanabara
Tantos mares, tantos
Que as baías possam guardar
Todos os encantos
Tanta coisa rara
Pra enxugar os prantos
Santa Clara clareia o sol
Clarão do sol
Queira Deus, Oxalá
BRWMB9705991
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
A novidade
Gilberto Gil
Bi Ribeiro
Herbert Vianna
João Barone
A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de baleia
A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
BRWMB9705994
© Gege Edições Musicais / © Edições Musicais Tapajós LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Outras gravações:
“Luiz A. M. Cossa”, Banda Forró Urbano 2001
“Biquini Cavadão”, Biquini Cavadão, Universal Music 2001
“Forró Chama Chuva”, Chama Chuva, EMI Music 2001
“Cidade Negra”, Cidade Negra, Sony BMG 2006
“Sucessos do barzinho – vol. 4”, Claudio Rodrigo, Sony BMG 2003
“Selvagem”, Paralamas do Sucesso, EMI 1997
“Paralamas ao vivo – Vamo bate lata”, Paralamas do Sucesso, EMI-ODEON 1995
“15 anos de rock”, Paralamas do Sucesso e Titãs, EMI 2008
“Projeto Ceafro”, Ceafro 2001
“A música de Herbert Vianna”, Biquini Cavadão, Universal Music 2003
“Brasil afora ao vivo”, Paralamas do Sucesso, EMI 2010
“A música de Gilberto Gil”, TCPA/TOP CAT 2007
“Série Gold Universal”, Biquini Cavadão 2002
“Forró Chama a chuva”, Chama chuva, EMI Music 2001
“MPB ao vivo”, Gilberto Gil, BMG 2002
“Perfil”, Gilberto Gil, Sigla 2005
“Trilha sonora da novela A Pátria Minha”, Gilberto Gil, Som livre 1994
“Kaya n’ gandaya ao vivo”, Gilberto Gil, Som Livre 2003
“Unplugged”, Gilberto Gil, Warner 1994
“Super tema de novelas”, Gilberto Gil 1995
“Quanta gente veio ver”, Gilberto Gil,Warner Music 1997
“E-collection”, Gilberto Gil, Warner Music 2000
“Acústico”, Gilberto Gil, Warner Music 2001
“Gilberto Gil no palco- nova série”, Warner Music 2007
“Enciclopédia musical brasileira MTV”, Gilberto Gil 1999
“Território nacional MTV”, Gilberto Gil, Warner Music 1996
“Unplugged”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“O melhor da Warner”, Gilberto Gil, WEA/Continental 1995
“Gil + 10”, Gilberto Gil e Lenine, Som Livre 2011
“Gil + 10”, Gilberto Gil e Paralamas do Sucesso, Som Livre 2011
“Ivete, Gil e Caetano”, Ivete, Gil e Caetano, Universal Music 2012
“Jamz”, Jamz, Som Livre, 2017
“Perfil – Os Paralamas do Sucesso vol.2 “, Paralamas do Sucesso EMI 2006
“Selvagem”, Os Paralamas do Sucesso, EMI 2004
“Box Os Paralamas do Sucesso”, Os Paralamas do Sucesso, EMI 2013
“Multishow ao vivo – Os Paralamas do Sucesso 30 anos, Mangaba Produções 2014
“Reggae Brasil”, Os Paralamas do Sucesso, Som Livre 2001
“Gilberto Gil – 2 lados”, Os Paralamas do Sucesso, Universal Music 2017
“Chill Brazil 3”, Os Paralamas do Sucesso, Warner Music 2004
“10 hits – Paralamas do Sucesso”, Os Paralamas do Sucesso, Universal Music 2017
“Paralamas do sucesso”, RAF 1998
“Vamo bate lata”, Paralamas ao vivo , EMI-Odeon 1995
“Estúdio Coca-Cola zero – diário de bordo – 07”, Paralamas do Sucesso, Abril Radiodifusão 2009
De ouro e marfim
Gilberto Gil
Aqui estamos reunidos
À beira-mar
Nesta noite de ano-novo
Nesta festa de Iemanjá
Pra prestar nossa homenagem
De coração
Ao grão-mestre dessa ordem
Venerável da canção
Brasileiro de Almeida
De ouro e marfim
Curumim da mata virgem
Antonio Carlos Jobim
Ê, babá, ê, babá, ê
Antonio Carlos Jobim
Ê, babá, ê, babá, ê
Antonio Carlos Jobim
BRWMB9705996
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
baixo – Arthur Maia
percussão – Leonardo Reis
sopros – Raul Mascarenhas
bateria – Jorginho Gomes
teclado – Paulo Calasans
percussão – Gustavo De Dalva
Outras gravações:
“Praia 31/12/95”, Cantada por Gilberto Gil, Show Copacabana1995
“Projeto especial IBM”, Gilberto Gil, Warner Music 1997
“Quanta gente veio ver”, Gilberto Gil, Warner Music
“Quanta”, Gilberto Gil, Warner Music
“Brasil branconegro”, Grupo Tom Da Terra, CPC Umes 2002
Doce de carnaval (Candy all)
Gilberto Gil
A primeira vez que pai me trouxe
Pra que eu fosse batizado
Na religião pagã do carnaval
Eu pedi que mãe me desse um doce
Pra que o batizado fosse
Mais gostoso do que o batizado com sal
Eu tive uma febre aquele dia
De alegria, de euforia, de prazer de viver
E coisa e tal
Pai me trouxe, mãe me deu um doce
Fosse lá qual fosse o doce
Nunca, nunca, nunca mais fiquei normal
Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca
Nunca mais perdi o gôsto do doce de carnaval
Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca
Nunca mais perdi o bloco que desce do Candeal
Fui batizado com doce
Doce no lugar do sal
Papapai cedo me trouxe
Pra brincar o carnaval
Mamamãe me deu um doce
Doce com mel e etcetera
Com mel etcetera e tal
Ô ô ô
Ô ô ô
Ô ô ô
Do Candeal eu sou
Pro carnaval eu vou
BRWMB9706027
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarras – Gilberto Gil
teclados – Sacha Amback
baixos – Dunga
pratos – Marcelo Costa
programação de bateria – Ramiro Mussoto
teclados Dub – Alex de Souza
produção musical, participação e guitarras – Lulu Santos
Lamento de carnaval
Gilberto Gil
Para muitos é um pecado, ô, ô, ô
Que od imposto que pagamos ao estado
E do lucro que damos ao mercado
Um pedaço seja destinado ao carnaval
Para outros no entanto, ô, ô, ô
Da magia do tambor, da cor do canto
É que vem o calor que seca o pranto
Em seus olhos já cansados de ver tanto mal
Hoje é dia de folia
Hoje eu canto pra esquecer
Que a escola do bairro está sem professor
Amanhã depois da festa
A cidade que protesta
Entrará pela fresta da porta do corredor
Não adianta fugir
Não adianta fugir, seu doutor
Não adianta trancar a porta
Não adianta fugir, seu doutor
Para alguém neste momento, ô, ô, ô
Sua condição de dor e sofrimento
Deve ser cimentada com o cimento
Do rancor, do desespêro, da exasperação
Para um outro, o lamento, ô, ô, ô
Da triste canção levada pelo vento
Pode ser uma luz no firmamento
Uma noite estrelada em seu coração!
BRWMB9706028
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
teclados, tamborim e palmas – Sacha Amback
baixo, tamborim e palmas – Dunga
pandeiro, pratos, faca e palmas – Marcelo Costa
programação de ritmo, cuíca, tamborim, agogô – Ramiro Mussoto
palmas – PC
palmas e coro – Alex de Souza
produção musical, participação e guitarras – Lulu Santos
Pretinha
Gilberto Gil
João Donato
Kátia Falcão
Eu queria te encontrar em Salvador, ô, ô
Eu queria te falar desse calor, ô, ô
Minha Preta gostosinha do Pelô
Me diga que você é meu amor
Porque não consigo viver sem você
Eu sei que você sente isso também
Pretinha venha logo viver comigo essa emoção
Cada vez que eu te vejo
Bate forte o meu coração!
Cada vez que eu te amo
Bate forte o meu coração!
BRWMB9706029
© Gege Edições Musicais / © Acre Editora Musical LTDA. / © Edições Musicais Tapajós LTDA.
Ficha técnica da faixa:
voz – Gilberto Gil
vocal e teclados – João Donato
programação de bateria, berimbau, repique, surdo, bongô marroquino, timbau, ganzá, reco-reco, triângulo, djambê, pratos e taróis – Ramiro Mussoto