It’s good to be alive
Gilberto Gil
The same man I’ve been I’ll stay
I’ll better stay, no matter how long
Until it finally comes, the day
I hear inside the sound of the gong
Then now I’ll certainly give away
Oh, give away
My possessions
All my passions
All my songs
And once I got my freedom I’ll go
I’ll better go no matter how far
And definitely I’ll wait till I know
Nowhere else I could get with my car
Then now I’ll be stuck again with my show
Oh, with my show
Back here
In Bahia
Or in a star
To be alive is good
Good enough, baby, just to be alive
To sing a song is good
Good enough, baby, just to sing a song
BRWMB0201210
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
guitarra e vocal – Gilberto Gil
teclado – Jorjão Barreto
baixo e programa – Liminha
bateria – João Barone
bateria – Pedro Gil
Titicaca
Gilberto Gil
Vieram muitos tremores
Sobrevieram chuvas para acomodar
Formar as poças maiores
Flores ao redor desses lugares, há
Hoje em dia, muitas flores
No lago Titicaca
Arredores milenares
No lago Titicaca
A ti, te escuto quieto, até vejo a vegetação
Até sentir o frio da noite, sinto, senão
Não, não seria nada lembrar de Titicaca
Lembrar-te assim sem ter te avistado ainda, ai de mim
Titicaca
Um claro raio de lua
A passarada a cada nascer do sol
O lago, uma índia nua
Um peixe prateado, a prata do anzol
Ainda hoje, muitas flores
No lago Titicaca
Arredores milenares
No lago Titicaca
A ti, te compreendo, até prendo a respiração
Andes, por onde andes, andará meu coração
Gente pacata, tez colorida, vida tão sã
Respirar claro, enxergar puro, cobrir com lã
Titicaca
BRWMB0201211
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e violão – Gilberto Gil
percussão e palmas – Jorginho Gomes
percussão e palmas – Charles Negrita
baixo – Jamil Joanes
Rhodes – Lincoln Olivetti
clavinet – Robson Jorge
violão e backing vocals – Zé Renato
viola e backing vocals – David Tygel
Afoxé Badauê
Gilberto Gil
Afoxé badauê
Afoxé aloriá
Afoxé badauê
Afoxé aloriá
Oi salve, salve
Salve, salve quem é grande
Oi salve, salve
Afoxé Filhos de Gandhi
BRWMB0201212
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
guitarra e vocal – Gilberto Gil
guitarra – Perinho Santana
bateria e percussão – Jorginho Gomes
baixo – Jamil Joanes
Rhodes e sintetizador Yamaha – Lincoln Olivetti
piano Yamaha – Robson Jorge
Corações a mil
Gilberto Gil
Minhas ambições são dez
Dez corações de uma vez
Pra eu poder me apaixonar
Dez vezes a cada dia
Setenta a cada semana
Trezentas a cada mês
Isso, sem considerar
A provável rebeldia
De um desses corações gamar
Muitas vezes num só dia
Ou todos eles de uma vez
Todos dez
Desatarem a registrar
Toda gente fina
Toda perna grossa
Todo gato, toda gata
Toda coisa linda que passar
Meus dez mil corações a mil
Nem todo o Brasil vai dar
BRWMB0201213
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
guitarra – Perinho Santana
ovation 12 cordas – Ricardo Silveira
bateria e percussão – Jorginho Gomes
percussão e palmas – Charles Negrita
baixo – Jamil Joanes
Rhodes – Lincoln Olivetti
obenheim – Robson Jorge
vocal – Loma, Neila e Nádia
Outras gravações:
“Fernanda Porto ao vivo”, Fernanda Porto, EMI Music
“Pessoa”, Marina Lima, Universal Music
“Fernanda porto”, Emi Music 2006
“Luar – a gente precisa ver o luar”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“It ‘s good to be alive-anos 80”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
“Obras”, Marina Lima, Polygram Music 1996
“Projeto especial Caralogo Hermes”, Marina, Polygram 1998
“Trilha sonora da novela Baila Comigo”, Marina, Sigla 2000
“Olhos felizes”, Marina, Universal Music 2003
“Eu te amo você”, Marina Lima, Universal Music 2004
“A arte de Marina Lima”, Marina Lima, Universal Music 2004
“A música de Gilberto Gil”, Marina Lima, Universal Muisc 2003
“Millennium”, Marina Lima, Universal Music 2004
“A arte de Marina Lima”, Marina Lima, Universal Music 2005
“Serie sem limite cd 1”, Marina Lima, Universal Music 2001
“Cantora”, Marina Lima, Universal Music 2009
“Marina Lima “pessoa””, Marina Lima, Universal Music 2009
TV Punk
Gilberto Gil
No canal A
O feijão está pouco
E o muro, sem reboco
No canal B
O planeta está oco
E o presidente, louco
No canal C
O céu deu um pipoco
E Deus levou um soco
Só animais nos canais
D, E, F, G
Só anões nos canais
H, I, J, K
Nada de mais nos demais canais
Até o V
Só travestis
No canal X
O locutor está rouco
E a imagem, sem foco
No canal Z
Da sua TV Punk
Sadomasopunk
BRWMB0201214
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Oxalá (Cesta Cheia da Sexta)
Moraes Moreira
Paulo Leminski
Oxalá estejam limpas
As roupas brancas de sexta
Oxalá estejam limpas
As roupas brancas da cesta
Oxalá, teu dia de festa
Cesta cheia
Feito uma Lua
Toda feita de Lua cheia
Teu amor no branco lindo
Teu branco tremeluzindo
Se manifesta
Tanta pompa, tanta roupa
Tanta roupa, tanta pompa
Na cesta cheia da sexta
BRWMB0201215
© Warner/Chappell Edições Musicais LTDA.
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Pílula de alho
Gilberto Gil
Você já ouviu falar
Da pílula de alho?
É uma pílula amarela
Cê toma uma daquela
Nem sabe o que é que sente
Mas a infecção já era
Eu tive dor de dente
Tomei algumas delas
As bichinhas logo agiram
Depois de certo (pouco) tempo
Senti-me melhorado
E os sintomas maus sumiram
A pílula de alho
Feita de alho e calor
É puro óleo de alho
É como a flor de dendê
É mel da planta isenta
De qualquer outro fator
A pílula de alho
Feita de alho e calor
A luminosidade
É de bola de gude
A transparência é cristalina
Vê-se que é coisa pura
Sente-se que é coisa nova
Sabe-se que é coisa fina
A pílula de alho
Da planta antibiótica
Da velha medicina
Que desenvolvimento!
Que belo (lindo) ensinamento
A pílula de alho ensina!
A pílula de alho
Feita de alho e calor
É puro óleo de alho
É como a flor de dendê
É mel da planta isenta
De qualquer outro fator
A pílula de alho
Feita de alho e calor
BRWMB0201216
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Estrela
Gilberto Gil
Há
De surgir
Uma estrela no céu cada vez que ocê sorrir
Há
De apagar
Uma estrela no céu cada vez que ocê chorar
O contrário também bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar quando a lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar
Só pra ver a flor do seu sorriso se abrir
Hum
Deus fará
Absurdos, contanto que a vida seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre tudo o que Ele consentir
BRWMB0201217
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Outras gravações:
“Novelas acústico”, Anna Luisa, Deck Disc
“Para ouvir”, Caçulinha, SIGLA
“Emílio Santiago”, Emílio Santiago, Som Livre
“Brasil Branconegro”, Grupo Tom da Terra, CPC UMES
“Padre Antônio Maria com vida”, Padre Antônio Maria e Simone
“Gil e Caetano em Cy”, Quarteto em CY, CID
“10 anos da Globo filmes”, Gilberto Gil, Som Livre 2008
“Concerto de cordas e máquinas de ritmo”, Gilberto Gil, Biscoito Fino 2012
“Trilha sonora da novela a indomada”, Gilberto Gil, Som Livre 1997
“Quanta”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“Projeto especial IBM”, Gilberto Gil, Warner Music 1997
“Musica”, Gilberto Gil, Warner Music 1998
“Nova série”, Gilberto Gil, Warner Music 2007
“Gilberto Gil no palco – nova série”, Gilberto Gil, Versal Editores 2005
“O maior amor do mundo”, Gilberto Gil (voz), Gege Produções 2006
“Brasil Branconegro”, Grupo Tom Da Terra, CPC Umes 2002
“A. Aquino Prod. Prom”, Luan Rodrigues 1999
“Mais misturado”, Mart’nália, Biscoito Fino 2016
“Padre Antonio Maria Com Vida”, Padre Antonio Maria Com Vida, Caná Promoções 2003
“Com vida”, Padre Antônio Maria e Simone, Caná Promoções e Comércio 2012
“Gil e Caetano em CY”, Quarteto em CY, CID 1999
“Vocal Gilberto Gil”, Susana Baca, Travesías Luaka BOP 2006
“Infinitamente”, Targino Gondim, Atracao Fonografica 2011
“Cores vivas”, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, Tratore Distribuição de CD’S 2015
Quatro Modos
Gilberto Gil
São diferentes modos de existir
São diferentes modos de atribuir
Poder à divindade
O mito da verdade superior
Ô-ô-ô
São diferentes modos de buscar
São diferentes modos de atribuir
A vida com a lenda
Na busca da verdade superior
Ô-ô-ô
Ver o céu condensado
Nos Olhos de uma deusa
Chamá-la de Iansã, Santa Bárbara
O que olha e não pensa
E ganha a recompensa
Ao ver Nossa Senhora de Fátima
Nossa Senhora de Fátima!
São diferentes modos de exigir
São diferentes modos de atribuir
Poder à divindade
O mito da verdade superior
Ô-ô-ô
São diferentes modos de buscar
São diferentes modos de equilibrar
A vida com a lenda
Na busca de verdade superior
Ô-ô-ô
O que fica curado na pia de água benta
Em Juazeiro do padre Cícero
O que tem uma filha
E faz no batizado
Chamar a filha de Guadalupe
La Virgen de Guadalupe!
BRWMB0201218
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Música moderna
Gilberto Gil
Eu queria tanto uma canção bonita
Feita descaradamente por amor
Como outra qualquer canção
Feita descaradamente por amor
Como uma modinha antiga feita por amor
De uma vulgaridade total
Eu queria tanto essa canção e no entanto
O que eu canto agora é
Simplesmente música moderna
Feita pra consumo como fumo é
Como tudo que se vê no mundo agora é
Produto da era industrial
Como Coca-Cola ou a marca Pelá
De uma realidade brutal
BRWMB0201219
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
bateria – Paulinho Braga
órgão e sintetizadores – Lincoln Olivetti
piano Rhodes e clavinet – Robson Jorge
baixo – Paulo César Barros
Outras gravações:
“It’s good to be alive-anos 80”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
Serafim
Gilberto Gil
Quando o agogô soar
O som do ferro sobre o ferro
Será como o berro do bezerro
Sangrado em agrado ao grande Ogum
Quando a mão tocar no tambor
Será pele sobre pele
Vida e morte para que se zele
Pelo orixá e pelo egum
Kabieci lê – vai cantando o ijexá pro pai Xangô
Eparrei, ora iêiê – pra Iansã e mãe Oxum
“Oba bi Olorum koozi”: como deus, não há nenhum
Será sempre axé
Será paz, será guerra, serafim
Através das travessuras de Exu
Apesar da travessia ruim
Há de ser assim
Há de ser sempre pedra sobre pedra
Há de ser tijolo sobre tijolo
E o consolo é saber que não tem fim
Kabieci lê – vai cantando o ijexá pro pai Xangô
Eparrei, ora iêiê – pra Iansã e mãe Oxum
“Oba bi Olorum koozi”: como deus, não há nenhum
BRWMB0201220
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
sax – Beto Saroldi
guitarra – Celso Fonseca
Rhodes e clavinet – Jorjão Barreto
percussão – Repolho
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Wilson Meirelles
backing vocals – Nara Gil e Neila Carneiro
Religiosamente incorreta – “Quando Serafim foi lançada, eu cantava ‘carneiro’ onde hoje está ‘bezerro’ – um erro religioso: o carneiro é um animal rejeitado por Ogum e não podia ser referido em sua homenagem. A correção veio depois (no show Tropicália 2 eu fiz a substituição), por advertência do Caetano e da Flora, que havia se iniciado no candomblé. Eu tinha usado ‘carneiro’ porque é um animal comumente sacrificado no candomblé.
“Em Lavagem do Bonfim [canção composta para Gal Costa em 1993] também há algo que pode ser visto como uma incorreção, mas que é proposital. Ao citar o caruru – que não é uma comida para Oxalá – eu não estou me referindo ao caruru como uma comida específica de oferenda a um santo, mas ao caruru como a somatória das comidas de santo, que na Bahia chamam caruru. ‘Vou ao caruru da dona Fulana’, quer dizer, ‘lá vai ter abará, acarajé, vatapá, arroz, feijão, inhame etc.’ ‘Caruru’ ali está portanto no sentido transreligioso, profano, de ‘ceia’, ‘refeição’, comida de todos os santos.”
Iorubá – ” ‘Kabieci lê’: saudação para Xangô; ‘eparrei’: para Iansã; ‘ora iê, iê’: para Oxum. ‘Oba bi olorum koozi’: a expressão eu vi inscrita num pára-choque de caminhão em Lagos, acompanhada da tradução em inglês: ‘No king as God’. ‘Um dia ainda vou usar isso numa música’, pensei. Guardei na memória e usei, acompanhada da tradução (livre) em português.”
Da utopia da poesia de as palavras serem as coisas, e da relação de correspondência entre som e sentido, fundo e forma – “O som do ferro sobre o ferro será como o berro do bezerro”: as aliterações em erres e bês parecem exprimir aquilo a que a frase alude, estabelecendo biunivocamente a conformidade fônico-semântica: como se os versos não apenas falassem de um ruído: fossem o ruído. “Os recursos sonoros empregados na construção dessa letra são mesmo muito fortes, de profunda inspiração”, reconhece Gil. “Tinha que ser assim, porque a música é sobre a potência – do axé, dos orixás”.
Um deles, Exu – aliás, referido em outro bloco de carregada sonoridade, uma sucessão tríplice de “trs” e vês e esses -, é destacado pelo compositor: “Tenho por ele uma particular admiração. No sincretismo, Exu é assimilado ao demônio, visto como uma entidade do mal, mas não é nada disso. Embora traquino, travesso, ninguém, nenhum orixá trabalha nem vive sem ele. Exu é o eixo, o mensageiro; o que dá energia a tudo – como a luz solar para a Terra.” A mesma referência reverenciadora à entidade é, aliás, repetida por Gil em outra canção, Dança de Shiva.
Noite de lua cheia
Gilberto Gil
A noite é nua na noite de lua cheia
O céu flutua na noite de lua cheia
O amor atua na noite de lua cheia
Ocupa a rua na noite de lua cheia
Calma, queda a alma
Clara a emoção
Branca e branda a chama
Tão morna a paixão
Longe leva a vista
Leve leva o ar
Luva veste a terra
Leite lava o mar
Love, love quase se vê
Move, move em mim, em você
Chove, chove prata sobre nós
Ouve, ouve, deve ser a lua, sua voz
É quando quero, quando espero um grande amigo
É quando vivo por um bom motivo – a lua
É quando sinto que não minto quando digo:
Não há perigo, tenho um grande abrigo – a rua
BRWMB0201221
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
sax – Beto Saroldi
guitarra – Celso Fonseca
Rhodes e clavinet – Jorjão Barreto
percussão – Repolho
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Wilson Meirelles
backing vocals – Nara Gil e Neila Carneiro
Outras gravações:
“It ́s good to be alive-anos 80”, Gilberto Gil, Warner Music 2002
Todo dia de manhã
Gilberto Gil
Todo dia de manhã, lavar a cara, andar a pé
Todo dia de manhã, visitar a Cabana do Peji
Pedir pro orixá zelar pelo axé
Zelar pelo lar, pelo labor, pelo lazer de Iaô
De Iaô, de Iaô
Todo dia de manhã, obrigação de candomblé
Todo dia de manhã, deixar o dia amanhecer
Todo dia de manhã, quando no horizonte o sol subir
Lembrar que Tupã andou por aqui
Nosso deus tupi, tupinambá, nosso deus tupiniquim
Tupiniquim, tupiniquim
Todo dia de manhã, obrigação de ser assim
Todo dia de manhã, pensar no Cristo Redentor
Todo dia de manhã, meditar sobre a máquina a vapor
Que esse mundo atroz faz a sua cruz
Do pulsar veloz, veloz e luz
Do gerador, do gerador
Todo dia de manhã, obrigação de dar amor
BRWMB0201222
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
ovation e voz – Gilberto Gil
sax – Beto Saroldi
guitarra – Celso Fonseca
Rhodes e clavinet – Jorjão Barreto
percussão – Repolho
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Wilson Meirelles
backing vocals – Nara Gil e Neila Carneiro
[ inédita ]
Punk da periferia
Gilberto Gil
Das feridas que a pobreza cria
Sou o pus
Sou o que de resto restaria
Aos urubus
Pus por isso mesmo este blusão carniça
Fiz no rosto este make-up pó caliça
Quis trazer assim nossa desgraça à luz
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
Ter cabelo tipo índio moicano
Me apraz
Saber que entraremos pelo cano
Satisfaz
Vós tereis um padre pra rezar a missa
Dez minutos antes de virar fumaça
Nós ocuparemos a Praça da Paz
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
Transo lixo, curto porcaria
Tenho dó
Da esperança vã da minha tia
Da vovó
Esgotados os poderes da ciência
Esgotada toda a nossa paciência
Eis que esta cidade é um esgoto só
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
BRWMB0201223
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
Rhodes e clavinet – Jorjão Barreto
percussão – Repolho
baixo – Rubens Sabino (Rubão)
bateria – Wilson Meirelles
backing vocals – Nara Gil e Neila Carneiro
Por que alguém tem inveja de você
Gilberto Gil
Por que que alguém tem tanta inveja de você, meu amor?
Por que que alguém tem de querer lhe negar valor?
Porque seu coração é bom
E na competição moral
Você contempla o bem e enfrenta o mal
Com a mesma decisão
Porque seu coração é bom
E em sua vida espiritual
Você vai à igreja e ao carnaval
Com a mesma devoção
Por que que alguém tem de implicar com você?
Por que que alguém tem tanta inveja de você, meu amor?
Por que que alguém tem de querer lhe negar valor?
Porque seu coração é bom
Seu dia a dia natural
Uma vida tão simples, tão normal
Sem drogas, com compaixão
Porque seu coração é bom
Sua bondade sutil
Se alguém repele ou finge que não viu
É pra não ter que ser igual a você
Por que que alguém tem de implicar com você?
Por que que alguém tem tanta inveja de você, meu amor?
Por que que alguém tem de querer lhe negar valor?
Porque seu coração é bom
E você ama o Lobo Mau
Você adora macarrão
Você gosta de dar quinau
Você detesta o gênero pinel
Você evita o que é vão
Você representa bem o seu papel
Você morre de medo de ladrão
BRWMB0201224
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
voz e guitarra – Gilberto Gil
guitarra – Celso Fonseca
teclado – Jorjão Barreto
baixo – Liminha
bateria – Pedro Gil
[ inédita ]
Sítio do Picapau Amarelo
Gilberto Gil
Marmelada de banana
Bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do Pica-Pau-Amarelo
Boneca de pano é gente
Sabugo de milho é gente
O sol nascente é tão belo
Sítio do Pica-Pau-Amarelo
Rios de prata piratas
Vôo sideral na mata
Universo paralelo
Sítio do Pica-Pau-Amarelo
No país da fantasia
Num estado de euforia
Cidade Polichinelo
Sítio do Pica-Pau-Amarelo
BRWMB0201225
© Gege Edições Musicais
.
Pode, Waldir?
Gilberto Gil
Pra prefeito, não
Pra prefeito, não
E pra vereador:
Pode, Waldir? Pode, Waldir? Pode, Waldir?
Prefeito ainda não pode porque é cargo de chefia
E na cidade da Bahia
Chefe!, chefe tem que ser dos tais
Senhores professores, magistrados
Abastados, ilustrados, delegados
Ou apenas senhores feudais
Para um poeta ainda é cedo, ele tem medo
Que o poeta venha pôr mais lenha
Na fogueira de São João
Se é poeta, veta!
Se é poeta, corta!
Se é poeta, fora!
Se é poeta, nunca!
Se é poeta, não!
O argumento é que o momento é delicado
E prum pecado desse tipo
Pode não haver perdão
Mudança é arriscado, muda-se o palavreado
Mas o indicado
Isso ele não muda, não
O indicado deve ser do tipo moderado
Com um mofo do passado
Peça do status quo
Se é poeta, veta!
Se é poeta, corta!
Se é poeta, fora!
Se é poeta, nunca!
Se é poeta… oh!
O certo poderia ser o voto no Zelberto
Mas examinando mais de perto
Ele tem que duvidar
A dúvida de que a Bahia tenha um dia tido a primazia
De nos dar folia
De nos afrocivilizar
Pra ele civilização é a França que balança
No seu peito de homem direito
Homem de jeito sutil
Se é poeta, veta!
Se é poeta, corta!
Se é poeta, fora!
Se é poeta, nunca!
Se o poeta é Gil!
Pra prefeito, não
Pra prefeito, não
E pra vereador:
Pode, Waldir? Pode, Waldir? Pode, Waldir?
BRWMB0201226
© Gege Edições Musicais
Ficha técnica da faixa:
[ inédita ]